Fila de três km de trens parados expõe o drama

Mais de 500 vagões e locomotivas que estão apodrecendo

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Canoas – RS – (Região Metropolitana) Uma cena impressionante em Canoas serve de retrato para a decadência dos trilhos no Estado: uma serpente de metal com quase três quilômetros. São mais de 500 vagões e locomotivas que estão apodrecendo e enferrujando a céu aberto há quase dois anos. As composições estão paradas porque os trilhos que levavam o combustível da refinaria para o resto do país foram destruídos pelos desmoronamentos da enchente de 2024.

Trilhos fantasmagóricos
O drama das ferrovias gaúchas não é de hoje, mas piorou muito depois do desastre ambiental do ano passado. Quando a rede foi privatizada, em 1997, o RS tinha 3,8 mil quilômetros de caminhos de ferro; hoje, restam pouco mais de 900 quilômetros úteis. No Vale do Taquari e na Serra, o cenário é de guerra: túneis entupidos por rochas, pontes arrancadas pela força da água e trilhos que sumiram debaixo da lama. O mato agora cresce onde antes passavam toneladas de grãos e combustíveis.

Prejuízo no turismo
A paralisia dos trens não quebrou apenas a logística de carga, mas também o sustento de muita gente no interior. O famoso “Trem dos Vales”, que levava milhares de turistas para cidades como Muçum e Guaporé, parou de circular. Comerciantes e donos de hotéis da região viram o movimento despencar e lutam para não fechar as portas. O Viaduto 13, um dos maiores das Américas, continua lá, mas o silêncio no local é o sinal de que o progresso sobre trilhos ficou no passado.

Sem conexão vizinha
Atualmente, o RS está isolado: não existem mais trens ligando o Estado a Santa Catarina ou aos países vizinhos como Argentina e Uruguai. Enquanto o governo e as empresas responsáveis discutem quem vai pagar a conta da reconstrução, as empresas precisam gastar milhões a mais para transportar tudo por caminhão. Para os antigos ferroviários, como o aposentado “Bitão”, de Bento Gonçalves, o que sobra é a saudade de um tempo em que o apito do trem era o sinal de riqueza da região.

Redação, João Lemes; Fonte: GZH

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