Nacional — O Ministério do Trabalho projeta que mais de 4,5 milhões de brasileiros perderão o direito ao abono salarial nos próximos quatro anos. A mudança ocorre devido às novas regras de concessão aprovadas pelo Congresso Nacional, que desvinculam o teto de renda do reajuste real do salário mínimo. Enquanto o piso nacional terá ganho real, o limite para receber o abono será corrigido apenas pela inflação, “achatando” o alcance do benefício.
O aperto progressivo nas regras
Pelas normas antigas, quem ganhava até dois salários mínimos tinha direito ao valor. A partir deste ano, esse teto cai para 1,96 salário mínimo, o que já retira 559 mil pessoas da lista de pagamentos. O plano do governo Lula é que essa transição continue até que, em 2030, apenas quem ganha até 1,77 salário mínimo consiga sacar o dinheiro. O objetivo final da equipe econômica é restringir o benefício para quem recebe, no máximo, um salário mínimo e meio.
Justificativa de responsabilidade fiscal
O governo afirma que a medida é necessária para garantir a saúde do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e cumprir as metas do arcabouço fiscal. Segundo o Ministério do Trabalho, a ideia é focar o recurso na parcela da população de renda mais baixa, garantindo o equilíbrio das contas públicas a longo prazo. No entanto, na prática, milhões de trabalhadores com carteira assinada verão o benefício desaparecer de seus planejamentos financeiros ano após ano.
O impacto detalhado por ano
A exclusão será gradual e deve atingir o pico em 2030. Em 2027, estima-se que 1,58 milhão de trabalhadores fiquem de fora; em 2028, esse número sobe para 2,58 milhões; e, em 2029, chegará a 3,51 milhões de pessoas sem o abono. Os dados constam no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso, confirmando que o abono salarial deixará de ser um direito para boa parte da classe média baixa brasileira.
Redação, João Lemes; Fonte: O Sul e Agência Brasil
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