Hungria – O Mangalitsa é um animal que, à primeira vista, confunde quem passa perto. Com uma pelagem grossa e encaracolada, o porco parece uma ovelha, mas basta olhar o focinho para tirar a dúvida. A raça, criada no século 19 pelo Império Austro-Húngaro, quase desapareceu do mapa durante o século 20, mas agora vive uma fase de retomada graças ao interesse de chefs e criadores que redescobriram o valor desse tesouro genético.
Resistência que impressiona
Esse bicho é conhecido por ser um dos mais pesados do mundo, com machos que passam dos 500 quilos. A pelagem única não é apenas estética; ela serve como uma capa de proteção contra invernos bravos, permitindo que o porco viva bem ao ar livre. Diferente dos sistemas de criação intensiva, o Mangalitsa se mantém comendo raízes e pasto, o que ajuda a cuidar da terra de um jeito mais natural e menos agressivo ao meio ambiente.
A virada na história
Depois da Segunda Guerra Mundial, o consumo de carne mudou. As pessoas passaram a preferir cortes mais magros e o Mangalitsa, conhecido pela gordura de alta qualidade, foi deixado de lado. Nos anos 90, restavam menos de 200 exemplares na Hungria. A sorte da raça mudou quando geneticistas e criadores se uniram para evitar o fim do animal. Hoje, a carne é disputada na alta gastronomia, o que deu fôlego financeiro para que a criação voltasse a crescer. O caso é um exemplo de como a consciência na lida com o campo pode salvar uma linhagem inteira do sumiço.
Redação, João Lemes; Fonte: Gazeta de São Paulo
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