(João Lemes) Sempre disse que lidar com pessoas é uma arte. E educar uma criança é uma das tarefas mais difíceis do mundo. Digo isso há anos em palestras, cursos e conversas.
Quem tem mais de 50 anos lembra bem como era antigamente. Muitas crianças passavam o dia no meio da lavoura, por perto dos pais, em condições que hoje seriam impensáveis. Não havia fraldas descartáveis, não havia estrutura adequada, não havia especialistas. Nas escolas, muitas vezes o aluno até apanhava. Quando recebia algum lanche, geralmente era uma sopa. E olhe lá.
Hoje a realidade é outra. Existem escolas em turno integral, EMEIs estruturadas, alimentação de qualidade, brinquedos, uniformes, transporte escolar, professores capacitados, monitores e equipes multidisciplinares. Há um cuidado muito maior com as crianças. Mesmo assim, problemas eventualmente acontecem. Afinal, estamos falando de seres humanos. E lidar com pessoas nunca foi simples.
Por isso, quando alguém presencia uma situação que considera inadequada, deve registrar, comunicar e encaminhar às autoridades competentes. O que não se pode fazer é sair julgando pelas aparências ou espalhando informações incompletas nas redes sociais.
Foi o que aconteceu recentemente em Santiago. Uma criança com autismo foi filmada em uma área de recreação de uma escolinha. Muitos imaginaram que ela estivesse abandonada ou sem supervisão. Mas a realidade era outra. A criança estava em um espaço apropriado, monitorada constantemente por profissionais, respeitando suas necessidades específicas. Segundo informações apuradas, ela insistia em permanecer naquele local e recebia acompanhamento adequado dos especialistas.
Quem trabalha com crianças sabe que cada uma é diferente. E quando se trata de crianças com necessidades especiais, o desafio é ainda maior. Exige conhecimento, preparo, paciência e muito amor.
Ninguém é contra denúncias. Pelo contrário. Elas são importantes quando feitas com responsabilidade. Mas antes de apontar o dedo, é preciso verificar os fatos. Ainda mais agora, com as regras de proteção digital previstas pelo ECA, que reforçam os cuidados com a exposição de imagens de crianças.
Por isso, fica aqui o reconhecimento às professoras, monitoras, diretoras e demais profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado das nossas crianças. É um trabalho difícil, muitas vezes pouco valorizado, mas fundamental para a sociedade.
Santiago tem excelentes profissionais na educação infantil. E, pelo que se vê, segue de parabéns.
Pense nisso.
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