Geral – O Ministério Público e a Polícia Federal abriram o olho para uma enxurrada de irregularidades em contratos de festas municipais pelo Brasil afora. A suspeita é de que eventos como festas juninas, de padroeiros, aniversários etc, estejam sendo usados para desviar dinheiro público através de superfaturamento e das famosas rachadinhas.
A investigação mira contratos de bandas e estruturas de som que, em muitos casos, estariam custando bem mais do que deveriam, servindo apenas para encher o bolso de quem deveria cuidar do bem comum.
O esquema
O método investigado é conhecido como triangulação. A prefeitura contrata uma produtora, paga o valor, e parte desse dinheiro, que pode chegar à metade do montante, voltaria para as mãos de agentes públicos como caixa dois.
Tem ainda o caso de emendas parlamentares destinadas a esses eventos estariam sendo infladas artificialmente. Outro ponto que levantou suspeita dos investigadores foi o preço das bandas: grupos de porte parecido passaram a cobrar valores quase iguais em cidades vizinhas, o que, para a polícia, cheira a esquema para esconder a realidade dos preços e driblar a fiscalização.
Fiscalização necessária
O MP reforça que o problema não é a festa em si, que é importante para a cultura e para o lazer do povo, mas sim a má gestão do recurso que sai do bolso do contribuinte. Enquanto a investigação avança e os auditores passam o pente fino nos contratos, o recado para a população é de alerta. É preciso que o eleitor fique de olho nos gastos da sua cidade e cobre transparência, já que esse dinheiro poderia estar indo para a saúde, educação ou segurança. O que se espera é que, depois desse levantamento, quem entrou no esquema de “ganha-ganha” com o dinheiro público sinta o peso da lei.
(João Lemes. Fonte: MP e Polícia Federal)
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