São Gabriel, RS – Rosane Machado Marques e Anderson da Silva Cavalheiro prestaram depoimento no primeiro dia do júri dos três policiais militares acusados pela mort3 de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos. Muito emocionados, os pais relembraram a rotina do jovem, falaram das buscas e voltaram a cobrar justiça. Os réus são o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Cléber Renato de Lima e Raul Veras Pedroso.

A dor da família
Rosane contou que Gabriel havia se mudado para São Gabriel para servir ao Exército e morava com um tio. Disse que ele era um rapaz tranquilo, gostava de música gaúcha e sonhava seguir carreira militar antes de decidir que queria trabalhar como campeiro. Em um dos momentos mais fortes do depoimento, afirmou que sempre acreditou que o filho voltaria para casa. Ela também contestou a versão dos policiais de que o jovem teria recebido apenas uma carona e disse acreditar que ele foi abandonado já sem vida. A mãe revelou ainda que mantém o quarto do filho como ele deixou e que a família perdeu a vontade de seguir a vida.
Perguntas da defesa
Durante o depoimento, os advogados dos acusados fizeram perguntas sobre o relato da mulher que chamou a Brigada Militar na noite da abordagem e também sobre a jaqueta de Gabriel, encontrada dias depois do desaparecimento. Rosane respondeu que a peça teria sido localizada antes se estivesse no local desde o início das buscas.
Pai também depôs
Anderson da Silva Cavalheiro descreveu o filho como um jovem respeitoso e afirmou que a família só soube da versão apresentada pelos policiais cinco dias depois do desaparecimento. Em determinado momento, houve tensão durante os questionamentos da defesa, e a juíza Liz Grachten precisou intervir para que o depoimento prosseguisse. Depois da audiência, os pais voltaram a pedir justiça e disseram que seguem esperando uma resposta para o caso.

Perícia diz que Gabriel já estava sem vida ao entrar na água
O segundo dia do júri dos três policiais militares teve novos depoimentos considerados importantes. O perito Áureo Felipe Norberto Duarte afirmou que o jovem não apresentava sinais típicos de afogamento e que as lesões no pescoço e na nuca indicam que ele pode ter entrado na água já sem vida. A tenente-coronel Karla de Moura também manteve a conclusão do Inquérito Policial Militar de que os policiais assumiram o risco da mort3 ao deixarem Gabriel na região de Lava Pé.
Ainda na terça-feira, o júri ouviu outro perito criminal, a moradora que filmou a abordagem e o policial militar que coordenou as buscas pelo jovem em 2022. O julgamento segue com novos depoimentos antes dos debates entre acusação e defesa e da decisão do Conselho de Sentença.
Fonte: Diário de Santa Maria.
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