“Essa violência foi ‘normalizada’ por muitos anos”
A inauguração da Delegacia da Mulher teve um dos momentos mais emocionantes no discurso do corregedor-geral de polícia, o delegado Antônio Vicente Vargas Nunes. Natural de Santiago, ele afirmou que a violência contra a mulher não nasce apenas dentro de casa, mas faz parte de uma cultura construída ao longo de décadas e que precisa ser transformada desde a infância.
A violência ‘normalizada’:
“defesa da honra”
O delegado relembrou que, quando era criança, acompanhava sessões do Tribunal do Júri ao lado do pai e viu criminosos serem absolvidos com a antiga tese da “defesa da honra”. Também recordou músicas e costumes que tratavam a mulher de forma ofensiva. Segundo ele, esse era o pensamento predominante na época e mostra como a sociedade evoluiu, mas ainda precisa avançar.
A Delegacia é importante, mas prevenção começa nas escolas
Para Antônio Vicente, a Delegacia da Mulher representa uma conquista necessária, mas o verdadeiro combate à violência precisa começar muito antes. Ele defendeu que escolas desenvolvam ações para acolher crianças que convivem com a violência dentro de casa, evitando que esse comportamento seja repetido nas próximas gerações.
Santiago é exemplo, mas o desafio continua
O corregedor elogiou o trabalho desenvolvido em Santiago, lembrando que o município está há 14 anos sem feminicídio consumado. Mesmo assim, alertou que muitas mulheres continuam vivendo em silêncio, com medo e sofrendo violência dentro de casa. Ao encerrar, afirmou que a nova Delegacia da Mulher completa um importante capítulo da rede de proteção construída na cidade e disse sentir orgulho de participar desse momento histórico em sua terra natal.
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