Santiago – RS – O ex-vereador Fábio Franco, 35 anos, foi condenado a 25 anos de prisão por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Susi Quadros, ocorrida em 2025.
A sentença foi anunciada na noite desta segunda-feira (13) pela juíza Cecília Laranja Bonotto, após um júri que durou praticamente o dia inteiro.


Durante o julgamento, Fábio afirmou que nunca teve a intenção de matar Susi. Disse que pegou a faca para tirar a própria vida e que os ferimentos ocorreram quando ela e a filha, Yasmin, tentaram impedir o ato. A defesa sustentou que ele não queria fazer mal à vítima e pediu que, no máximo, o caso fosse reconhecido como lesão corporal.


Já a promotora Maura Lelis Guimarães Goulart afirmou que Susi Quadros vivia um ciclo de violência e que o réu precisava ser responsabilizado pelo que chamou de “crime bárbaro”. O Conselho de Sentença acolheu a tese da acusação e condenou Fábio Franco por tentativa de feminicídio. Confira a sentença anunciada pela juíza Cecília Laranja da Fonseca Bonotto.
Promotora: “Santiago deu uma resposta firme contra a violência doméstica”
A promotora Maura Lelis Guimarães Goulart avaliou como histórica a condenação do ex-vereador Fábio Franco a 25 anos de prisão por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Susi Quadros em 2025. Após o julgamento dessa segunda-feira (13), ela afirmou que a decisão do Tribunal do Júri representa uma resposta da sociedade diante da violência contra a mulher, que segue crescendo no RS.
Resposta da sociedade
Segundo a promotora, o crime foi marcado pela crueldade. Ela lembrou que a tentativa de feminicídio ocorreu na frente da filha da vítima, no Dia das Mães. Conforme a promotora, o acusado teria dito que aquele seria seu último Dia das Mães. Para ela, a condenação traz esperança de que esse tipo de violência seja combatido e reforça a necessidade de educar os agressores para respeitarem a autonomia e os direitos das mulheres.

A pena pode aumentar
A promotora disse que o Ministério Público ainda vai analisar a possibilidade de recorrer para pedir aumento da pena. Segundo ela, Fábio Franco ocupou cargo público e conhecia as leis, circunstância que, na avaliação da acusação, deveria pesar contra ele. Mesmo assim, considerou que a condenação de 25 anos já representa uma punição severa para um crime de tamanha gravidade.

Regime fechado
Ao comentar o cumprimento da pena, explicou que mudanças recentes na Lei de Execução Penal tornaram mais rígida a progressão para condenados por crimes hediondos. A expectativa do Ministério Público é que, se a condenação for mantida pelas instâncias superiores, o réu cumpra pelo menos metade da pena em regime fechado. Segundo ela, isso também é importante para garantir a proteção da vítima, que ainda vive com medo.
A violência não pode ser normalizada
A promotora encerrou afirmando que ficou satisfeita com a repercussão do caso e com o interesse da comunidade em acompanhar o julgamento. Para ela, quando a sociedade cobra respostas da Justiça, demonstra que esse tipo de violência deixou de ser tratado como algo normal e que há indignação diante de crimes praticados contra mulheres.
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