Nacional – A Federal recuperou no celular de Daniel Vorcaro arquivos apagados que permitiram reconstruir mensagens enviadas por ele no WhatsApp. A análise identificou conversas ligadas a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, atribuído pelos investigadores ao ministro do STF.
O aparelho foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes na cessão de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, retirou o sigilo de documentos da apuração e pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República.
O método dos prints
Segundo o relatório, Vorcaro escrevia mensagens no aplicativo de notas do celular, fazia capturas de tela e enviava as imagens pelo WhatsApp, muitas vezes como mensagem de visualização única. Dessa forma, o texto não ficava registrado como uma mensagem convencional e poderia desaparecer após a abertura.
A perícia, porém, localizou arquivos provisórios em PDF numa pasta interna do iPhone chamada “tmp”, abreviação de temporary, ou temporário. Mesmo apagados poucos minutos depois da criação, parte dos documentos foi restaurada durante a extração forense.
“Após elaborar o texto das notas ora tratadas e realizar um screenshot do conteúdo, Daniel Vorcaro efetua, poucos segundos depois e como primeira interação no WhatsApp após screenshot, a remessa de mensagem ao terminal”, registra o documento, referindo-se ao número que seria atribuído a Moraes.
O cruzamento dos dados
Os peritos compararam a hora de criação e alteração das notas, o momento da captura de tela, o envio pelo WhatsApp e a conversa à qual cada arquivo estava associado. A Polícia Federal também confrontou o conteúdo das notas com dados encontrados no histórico do aplicativo.
O mesmo número aparecia salvo no celular de Vorcaro com outros nomes, como “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. Segundo a investigação, o ex-banqueiro recebeu o contato de Moraes em dezembro de 2023, encaminhado pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria.
As limitações do relatório
Os documentos não mostram, por si só, quem usava o celular que recebeu as mensagens nem permitem visualizar respostas enviadas do outro lado. Desde setembro de 2025, o contato passou a usar mensagens temporárias, configuradas para desaparecer em 24 horas — dado que a Polícia Federal considera compatível com o método de comunicação por prints e visualização única.
A análise técnica indica que parte das imagens foi encaminhada ao contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O relatório, porém, ainda integra uma investigação em andamento e não representa conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade de Moraes. Até a publicação do material de origem, o ministro e a defesa de Vorcaro não haviam se manifestado. (Redação, João Lemes. Fonte: Terra)
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