GIRO NO TEMPO: Sistema antigranizo começa a proteger parte da área urbana

Segundo a prefeitura, é a primeira da América Latina voltada a uma área urbana

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Chapecó – SC – A prefeitura contratou uma empresa para monitorar, 24 horas por dia, a formação de nuvens com possibilidade de granizo. O equipamento será acionado remotamente pelo menos 15 minutos antes da chegada da chuva.

O sistema inaugurado no dia 2 usa ondas sonoras e protege uma área de 80 hectares, o equivalente a 112 campos de futebol. A estrutura tem torre de cinco metros e equipamentos que, segundo a prefeitura, enviam ondas até as nuvens para impedir a formação de pedras maiores.

A expansão
O investimento foi de 972.510. O prefeito João Rodrigues afirmou que outros dois equipamentos serão instalados: um também no bairro Efapi e outro no distrito de Marechal Bormann, onde mais de mil casas foram danificadas por uma tempestade de granizo em 2022.

A prefeitura informou que escolheu o sistema sonoro por não gerar resíduos ambientais, ao contrário do modelo com iodeto de prata. O acionamento provoca um barulho semelhante ao de um tiro de revólver calibre 22, mas uma estrutura no entorno reduz o som de 92 para 72 decibéis.

As famílias que vivem perto do equipamento receberam material explicativo e foram incluídas em um grupo de WhatsApp para receber informações sobre a operação. O município também assinou a licitação para instalar 12 miniestações meteorológicas, que devem auxiliar no monitoramento do clima e na produção agropecuária. (Redação, João Lemes. Fonte: Prefeitura de Chapecó)

Cada unidade custou cerca de R$ 972 mil, exige torre, gás, monitoramento meteorológico contínuo, acionamento remoto e manutenção. A prefeitura informa vida útil estimada de 20 anos, mas não divulga um prazo-padrão de instalação; portanto, não é algo para colocar de imediato.

E funciona?
A prefeitura afirma que as ondas sonoras desorganizam a formação do gelo, mas a avaliação científica é bem mais cautelosa. A Organização Meteorológica Mundial diz que ainda falta comprovação científica do efeito de canhões antigranizo na escala das nuvens. Em resumo: pode ser testado como prevenção, mas não há base sólida para prometer que evitará granizo ou protegerá uma cidade durante temporal severo.

O caminho mais seguro seria tratar o equipamento como projeto-piloto: medir granizo e danos antes e depois, comparar áreas com e sem proteção e contratar avaliação independente. A própria OMM recomenda análises estatísticas, monitoramento e revisão periódica para esse tipo de intervenção.

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