Cacequi – RS – A cada sessão da Câmara, o vereador Pinduca (Podemos) se firma como um dos mais assistidos. Também pudera: quando o galo abre o bico, o poleiro inteiro presta atenção. Ele não fala baixinho, não engole palavra e muito menos alisa cabeça de burro com sabonete. Nesta sessão, tratou de abrir a porteira: “Se eu tô de um lado, eu não abro a minha posição. Não escondo nada de ninguém quem eu sou. Só sei que sou bom. Sou melhor que de rachado”.
Pinduca também recordou
sua passagem pela cadeia
Disse que conhece o lugar, que foi preso por ser homem e por se defender, mas agradeceu a Deus por não ter matado ninguém. E completou com uma filosofia que não deixa dúvida: “Eu, depois do cuspir, não lambo”. Traduzindo o canto desse galo: falou, tá falado. Pode até faltar milho no terreiro, mas posição não falta.
Roubaram 4 milhões, roubaram mais 500 mil e fica tudo por isso mesmo”.
O vereador afirmou que faz pedidos mesmo quando sabe que talvez não sejam atendidos. Disse que não recebe resposta porque não se entrega, critica o controle interno, fala da procuradora do município e não tem papa na língua. “O que eu digo não é mentira”, declarou. Pinduca também afirmou que “roubaram 4 milhões, roubaram mais 500 mil e fica tudo por isso mesmo”. São acusações feitas por ele na tribuna, sem comprovação apresentada nesse trecho da sessão.
O galo ainda voltou suas esporas
para o Festival de Trovadores
Segundo ele, já pediu cópias de documentos relacionados ao evento porque haveria “rolo” no caso, mas ainda não recebeu resposta. Agora ameaça procurar novamente a Justiça. “Eu não tenho medo de Justiça”, avisou. E quem conhece Pinduca sabe: esse não canta somente quando clareia o dia. Canta na chuva, no escuro e até quando tentam apagar a luz do galinheiro.
Ele também falou sobre a promotora
responsável pelo caso do afastamento de Ana Paula
Segundo Pinduca, o processo está há um ano sem conclusão e agora teria mais 90 dias. Disse ainda que, depois das eleições, o processo já não teria mais segredo de Justiça. Tudo isso foi apresentado pelo vereador em seu discurso, conforme sua interpretação do andamento do caso.
Justiça “de pai para filho”
Depois, Pinduca entrou num assunto ainda mais espinhoso. Disse ter aprendido na vida que, na Justiça do RS, determinadas posições passariam “de pai para filho” desde 1920. Citou famílias, filhos, sobrinhos e parentes de juízes e promotores. Também recordou uma conversa com Estinac Xavier, que teria sido ligado ao Tribunal de Contas do Estado. Conforme contou, ouviu que o estudo pode abrir caminhos, mas que, na maioria das vezes, a coisa seria “de pai para filho”.
O vereador afirmou que todo mundo enxerga essa realidade e comparou a situação com a Brigada Militar. Citou o coronel de Oliveira ao falar de gente que seguiria a carreira dos pais, entraria na escola e sairia classificada. O trecho final da fala ficou interrompido justamente quando ele dizia: “Passam lá e, Deus que me perdoe, não sabe nem…”. E o galo terminou o canto sem completar a frase, deixando a Câmara tentando adivinhar onde aquela bicada iria acertar.
Pode-se concordar ou discordar, mas Pinduca tem sebo no rim e não se esconde atrás da moita. Fala certo, fala atravessado, mistura denúncia, lembrança, filosofia de cadeia e crítica ao poder. Às vezes, o canto sai afinado; outras vezes, espalha as galinhas pelo terreiro. Mas uma coisa é certa: quando o galo Pinduca sobe na tribuna, ninguém dorme no poleiro. (Araponga)
Acompanhe o NP pelas redes sociais:
- Tiktok: @np.expresso
- Comunidade no WhatsApp: Clique Aqui
- Instagram: npexpresso
- Facebook: NPExpresso



