A Quaest apontou vantagem de Flávio e desafio maior para Lula

O analista Felipe Nunes atribui o resultado ao voto útil da direita e diz que o petista precisará atrair eleitores fora dos dois polos

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Nacional – O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avalia que Flávio Bolsonaro entra no segundo turno como favorito por ter terminado o primeiro turno à frente de Lula. Segundo ele, todos os candidatos que lideraram a primeira etapa das eleições presidenciais brasileiras venceram depois a disputa.

O voto útil
Na análise de Nunes, o crescimento de Flávio na reta final veio da migração de eleitores que antes estavam com Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema. Para ele, essas candidaturas funcionaram como um reservatório da direita e perderam força quando o eleitor percebeu que não eram viáveis.

O percentual somado desses nomes caiu de 16% para 8%, enquanto Flávio avançou oito pontos. Nunes afirma que o movimento era esperado e consolidou a candidatura do PL como principal opção da direita.

A identidade política
O diretor da Quaest também vê uma mudança mais profunda no eleitorado. Segundo ele, em 2002, 25% dos brasileiros não se identificavam como de esquerda, direita ou centro. Hoje, esse grupo seria de 4%, enquanto a identidade de direita cresceu e passou a pesar mais que o voto econômico.

Para Nunes, valores, visão de mundo e identificação partidária passaram a ser decisivos. Ele cita ainda a aprovação negativa do governo Lula, a percepção de falta de bem-estar e as preocupações da população como fatores que ajudaram a fortalecer o desejo de mudança.

O desafio de Lula
A avaliação é de que Lula precisará conquistar parte dos 8% de eleitores que votaram nos demais candidatos, reduzir a abstenção e usar os debates para disputar votos em aberto. Nunes diz que esse grupo rejeita os dois polos, o que torna a tarefa mais difícil.

O cientista político também afirma que o PT terá de reconstruir uma frente ampla, com a recuperação de apoio entre liberais sociais que, segundo ele, se afastaram do governo. Na leitura do diretor da Quaest, o caso Master reforçou no eleitorado a ideia de desgaste do sistema. (Redação, João Lemes. Fonte: Estado de Minas)

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