Uma armação teria “plantado” droga e revólver para incriminar casal

Polícia pede prisão de quatro, entre eles uma policial da Brigada

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Conforme a investigação, o crime teria sido planejado pela ex-companheira do morador, motivada por uma disputa judicial pela guarda do filho, com a participação de seu advogado, que teria fornecido apoio logístico para a execução do plano.

Jaguari – RS – (Região de Santiago) – Quatro investigados, entre a ex-companheira de um morador, o advogado dela, uma policial da Brigada e outro sujeito, são apontados pela Polícia Civil como possíveis envolvidos em uma armação para incriminar o casal. A autoridade policial pediu à Justiça a prisão temporária dos quatro por 30 dias.

Tudo começou quando…
O caso começou na noite de 12 de julho, quando a Brigada recebeu cerca de 19 ligações. As denúncias diziam que o morador agredia a companheira e atirava. Os denunciantes ainda indicaram que havia uma arma escondida em um vaso de flores no pátio da casa.

Os policiais encontraram uma bolsa com um revólver-32 de numeração suprimida, munições de vários calibres, cerca de 75 gramas de cocaína e 49 gramas de maconha, parte fracionada em porções. O casal foi preso em flagrante e levado à Delegacia de Pronto Atendimento.

A suspeita de armação
A polícia estranhou a ocorrência porque, apesar das denúncias de violência doméstica, o casal estava tranquilo, não apresentava sinais de agressão e negava qualquer discussão. Os dois também disseram que não conheciam a origem da arma e das drogas e levantaram a hipótese de que terceiros teriam colocado o material no pátio para prejudicá-los.

A partir disso, a investigação passou a analisar câmeras da casa e de prédios próximos. As imagens mostraram um Pulse branco circulando repetidamente nas proximidades, aparentemente monitorando a movimentação da residência.

Por volta das 22h18min, as câmeras registraram um indivíduo de moletom claro, com o rosto aparentemente encoberto, aproximando-se da casa com um volume sob a roupa. Conforme a polícia, esse pode ter sido o momento em que a bolsa com arma, munições e

O deslocamento dos suspeitos
A polícia identificou o carro e reconstituiu o trajeto. O veículo saiu da Região Metropolitana de Porto Alegre, foi até Jaguari e retornou durante a madrugada, passando por várias praças de pedágio da BR-287.

As imagens das cabines registraram um homem e uma mulher se revezando ao volante. A polícia também analisou as chamadas para o 190 e descobriu que as 19 ligações partiram de apenas duas linhas telefônicas, habilitadas no mesmo dia e em nome de terceiros.

Investigação minuciosa
As operadoras forneceram dados que permitiram identificar os aparelhos, seus códigos e contas digitais vinculadas. Segundo a investigação, os telefones foram ligados a uma policial da Brigada, lotada em Porto Alegre, e a outro suspeito de executar o plano.

A possível motivação
A linha investigativa aponta para uma disputa judicial pela guarda de uma criança entre o morador e a ex-companheira. Conforme a polícia, ela teria idealizado e coordenado a ação, enquanto o advogado teria dado apoio logístico e viabilizado o carro usado no deslocamento.

O veículo foi alugado em Porto Alegre. A investigação identificou o advogado como responsável pela retirada e pela devolução à locadora. A suspeita é de que o grupo tenha colocado os materiais na casa e, depois, feito denúncias sucessivas para provocar a intervenção da Brigada e responsabilizar o morador por crimes que não teria cometido.

Cerca de dois meses antes, o mesmo morador havia sido abordado pela Polícia Rodoviária após uma denúncia de que transportava armas no carro. Nada de ilegal foi encontrado. A Polícia Civil investiga se os dois episódios têm relação.

Os crimes investigados
A polícia atribui à ex-companheira e ao advogado uma possível participação no planejamento e na organização. Os outros dois investigados teriam executado a ação, ido até Jaguari e feito as comunicações para provocar a abordagem policial.

A participação de uma policial da Brigada é considerada especialmente grave pela investigação, diante da suspeita de uso de conhecimentos ligados à atividade policial para viabilizar o plano. Os quatro são investigados por associação criminosa, tráfico de drogas, crimes relacionados a arma de fogo e falsas comunicações às autoridades. (Redação, João Lemes. Fonte: Polícia Civil de Jaguari)

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