Lula tenta virada; Flávio quer consolidar a vantagem

As análises apontam tarefas diferentes: Lula precisa ampliar a mobilização, enquanto Flávio tenta atrair moderados

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Nacional – Desde 1989, o candidato que terminou o primeiro turno em primeiro lugar venceu a eleição presidencial. O histórico favorece Flávio Bolsonaro, mas especialistas ouvidos pelo Estadão afirmam que a disputa ainda dependerá da capacidade dos dois candidatos de ampliar suas bases e evitar erros na reta final.

O caminho de Lula
Para Lula, o desafio passa por recuperar votos perdidos desde 2022, mobilizar parte dos mais de 33 milhões de eleitores que não foram às urnas e conquistar apoio de candidatos derrotados. A diretora do Datafolha, Luciana Chong, avalia que a alta abstenção pode ser decisiva, pois esse público costuma ter maior presença entre eleitores de baixa renda, embora Flávio também alcance parte desse segmento.

O economista Maurício Moura cita a eleição de 2006 como exemplo para Lula. Naquele ano, o PT ampliou a mobilização no Nordeste entre os turnos e aumentou a vantagem sobre Geraldo Alckmin. Para ele, a campanha petista precisa concentrar forças em quem não votou no primeiro turno.

Já Murilo Hidalgo, do Paraná Pesquisas, e Felipe Nunes, da Quaest, avaliam que reduzir a abstenção não basta. Segundo eles, Lula também precisará reconquistar eleitores e atrair parte dos votos de candidatos derrotados.

O desafio de Flávio
Flávio chega ao segundo turno em situação mais confortável, segundo os analistas, mas terá de demonstrar preparo para governar e evitar posições que afastem eleitores moderados. Hidalgo afirma que as próximas sabatinas devem cobrar respostas sobre o que ele pretende fazer, caso vença a eleição.

Felipe Nunes entende que o senador precisa buscar os votos de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Para isso, diz que Flávio deverá assumir compromissos democráticos e moderados, sem atitudes que possam ser interpretadas como radicalização ou ruptura.

A avaliação mais dura é de Alberto Carlos Almeida, que considera a vantagem de Flávio irreversível. Os demais especialistas, porém, apontam que a mobilização de eleitores ausentes e a disputa pelos votos ainda em aberto podem influenciar o resultado do segundo turno. (Redação, João Lemes. Fonte: Estadão)

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