Júlio Ruivo não concorre mais a nada

O ex-prefeito desabafou na Rádio Santiago, lembrou obras, criticou a falta de união regional e disse que não voltará a concorrer

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Santiago – RS – (Região Central) – Júlio Ruivo, PP, concedeu entrevista à Rádio Santiago e desabafou após não conseguir a votação necessária para chegar à Assembleia. Ele enumerou obras, lembrou os 30 anos de vida pública e afirmou que o resultado não apaga o legado para a cidade. Ao falar do futuro, foi direto: não pretende concorrer mais a cargo político, nem mesmo a prefeito. OUÇA RUIVO NO ÁUDIO ABAIXO

21.495 votos na região
Ele agradeceu aos eleitores, à equipe de campanha, aos prefeitos, vereadores, agentes políticos e amigos que o apoiaram. Disse que aceitou disputar a eleição porque acreditava poder usar a experiência acumulada para ajudar a região, que, na sua avaliação, perdeu força por falta de representação política.

A trajetória e a decisão de concorrer
Ruivo afirmou que já não tinha intenção de disputar outra eleição. Segundo ele, o convite de prefeitos, entre eles o prefeito Marcelo Piru, e a diferença de apenas 108 votos na eleição anterior fizeram com que voltasse a pensar em concorrer.

“Eu sou muito grato à região, sempre pelo que tiveram ao meu lado nessas iniciativas de poder contribuir. Afinal, são 30 anos de vida pública, de dedicação exclusiva para a nossa cidade. Eu acredito que não é a votação, não é o resultado que vai apagar um legado que a gente deixou de uma vida dedicada para a cidade”, disse.

Ele afirmou que a derrota também faz parte da vida pública. “A história nos mostra que não é só de vitórias. A gente também tem que amargar, às vezes, os insucessos.”

“Escapei de muitos acidentes”
Durante a campanha, Ruivo disse ter percorrido 60 mil quilômetros em 16 meses, tentando mostrar a importância de eleger um representante regional. “Escapei de muitos acidentes. Eu acho que Deus faz pelo melhor. Estou bem conformado com o resultado, porque eu não queria nada para mim. Eu queria continuar ajudando, como sempre ajudei, a nossa região.”

A representação regional
Na avaliação de Ruivo, a região ainda não desenvolveu uma cultura de votar em candidatos locais, acima das diferenças partidárias. Ele usou como exemplo as Missões, onde, segundo ele, lideranças de diferentes partidos teriam priorizado a eleição de Luiz Fernando Pires, de São Luiz Gonzaga, que recebeu mais de 40 mil votos.

“Eu fui várias vezes às Missões, tenho muitos amigos e agentes políticos lá. Eles simplesmente fecharam as portas para mim. Por quê? Porque tinham um candidato da região. Queriam eleger o missioneiro para representar a região missioneira, independente de partido político.”

Ruivo também citou a Quarta Colônia
É representada pelo deputado Beto Fantinel. Segundo ele, os moradores da região deixavam claro que, mesmo tendo amizade com ele, votariam no candidato que já os ajudava. Ele relacionou a representação política à pavimentação dos acessos dos municípios, ao fortalecimento do Hospital de Faxinal do Soturno, ao turismo, às agroindústrias e aos projetos do Recanto Maestro.

“O hospital cresceu muito, o turismo cresceu muito, as agroindústrias cresceram. Tudo teve cunho político, teve o dedo do deputado. Olha como a região foi beneficiada.”

O Vale do Jaguari
Ruivo criticou o fato de o Vale do Jaguari ter distribuído votos entre 358 candidatos a deputado. Para ele, a região poderia ter eleito dois representantes se tivesse priorizado candidaturas locais, independentemente de sigla partidária.

Falta de consciência política
“Se o Vale do Jaguari dissesse: vamos priorizar esses dois aqui, independente de partido político, podia ser de qualquer outro partido, elegeria os dois. Não é a minha pessoa, não é o meu partido o problema. Talvez seja essa falta de consciência política, essa mudança de comportamento do eleitor.”

O que Ruivo fez por Santiago?
Ele afirmou que sua história pública não foi valorizada na hora do voto. Citou a rede de saúde de Santiago, que, segundo ele, se tornou exemplo para a criação dos territórios de saúde; 44 de calçamento; a entrega gratuita de 512 casas; e a pavimentação urbana e dos bairros.

Ruivo disse que o modelo de construção de casas, iniciado quando trabalhou com Chicão e depois ampliado por ele, é referência para a Caixa Federal. “As pessoas não levam isso como mérito, como referência. Isso não fez diferença na hora do eleitor votar.”

Pessoas que nunca ajudaram Santiago com nada
Ruivo também reclamou da ausência de candidatos que receberam votos em Santiago durante o temporal de pedras. Ele lembrou que, na eleição anterior, faltaram 108 votos para sua vitória e afirmou que candidatos de fora receberam votos no município, mas não apareceram no momento da dificuldade.

“Pessoas que nunca ajudaram Santiago com nada. A gente sofreu isso agora, quando deu toda essa tempestade, porque não apareceu ninguém dos que levaram os votos daqui. E não foram poucos: foram 358 candidatos.”

Os votos locais e de fora
Questionado sobre a concorrência com outros candidatos de Santiago, Ruivo disse que a divisão dos votos locais atrapalha, mas não explica tudo. Na eleição passada, segundo ele, 14 mil eleitores de Santiago votaram em candidatos de fora.

“Dessa vez também aconteceu a mesma coisa, provavelmente. Claro, um pouco diferente, porque teve bem mais votos para o outro candidato local. Isso reparte muito os votos e atrapalha, mas não é só isso. São vários fatores, é um conjunto.”

As críticas ao fundo partidário
Milhões para uns, muito pouco para outros
Ruivo também criticou a distribuição de recursos pelo Progressistas. Segundo ele, a direção estadual destinou entre 1,5 milhão e 2 milhões do fundo partidário aos candidatos que queria eleger, enquanto sua campanha recebeu 250 mil.

“Todos os que tiveram campanha mais vultuosa em recurso se elegeram. Todos. Teve candidato que teve mil votos mais do que eu e recebeu um milhão. Fora o que recebem depois de empresários e aquela coisa toda. A disputa se torna muito injusta, desigual.”

Na entrevista, Ruivo afirmou que candidatos com mais recursos conseguem alugar carros, contratar cabos eleitorais e distribuir ajuda para combustível em muitos municípios. “Eu tinha 40 municípios onde atendia amigos políticos e pessoais. Os meus votos eram na qualidade, eram votos de amigos.”

Ele questionou por que o Ministério Público não intervém na distribuição do fundo partidário. Na avaliação dele, os recursos públicos, formados por impostos como IPI e Imposto de Renda, poderiam ser usados na saúde, na educação e em outras áreas.

“O modelo é feito para ficar sempre os mesmos, não é feito para mudar. Os partidos distribuem como querem, para pessoas com quem têm afinidade, conforme o número de cadeiras de deputados e senadores que possuem no Congresso.”

Quatro anos fora do jogo
Ruivo disse que ter permanecido quatro anos afastado da política também prejudicou sua candidatura. Segundo ele, recusou um cargo que lhe foi oferecido porque, embora pudesse beneficiá-lo pessoalmente, não ajudaria a sociedade.

“Eu fiquei quatro anos fora do jogo, fora de qualquer vitrine. Os outros candidatos que se elegeram ficaram na primeira suplência e exerceram cargos importantes no governo do Estado, mesmo sem contribuir com nada para o próprio partido na última eleição. Foram beneficiados. Eu não fui, porque o cargo que me ofereceram não ia ajudar em nada a sociedade.”

Ele afirmou que, se surgir alguma função capaz de ajudar a sociedade, poderá analisar, mas não quer cargo apenas para benefício próprio. “Se tiver alguma função importante para a sociedade, que eu possa ajudar, tudo bem. Se não for, me deixem fora, que é melhor.”

O fim da caminhada eleitoral
Ao ser perguntado sobre o futuro político, Ruivo disse que considera encerrada sua participação em disputas eleitorais. Afirmou que a família já havia pedido para que não concorresse mais e disse que não disputará nem mesmo uma eleição para prefeito.

“Eu acho que já dei a minha contribuição. Tentei as vezes que podia tentar. Não vou voltar a concorrer a mais nada, nem a prefeito. O meu papel na vida pública se encerra, em cargos políticos, com essa eleição.”

Ruivo disse que continuará em Santiago como amigo e agradeceu ao prefeito Tiago, ao ex-prefeito que hoje preside o partido, à equipe da prefeitura, aos vereadores, aos agentes políticos, ao Progressistas e ao coordenador da campanha…

“A sociedade de Santiago pode contar sempre comigo agora como um amigo, não como um agente político. Fica aqui a minha gratidão eterna a todos aqueles que apostaram em mim, a esses 21.495 votos de Santiago, da região e de todos os municípios.” (Redação, João Lemes. Fonte: Rádio Santiago)

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