Mourão diz que Brasil não pode reduzir jornada sem cortar salário

O senador prevê demissões e aumento de preços, mas não apresentou estudos para dimensionar os efeitos apontados

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Nacional – Custos maiores para empresas, substituição de funcionários por tecnologia e queda na arrecadação estão entre os riscos citados por Hamilton Mourão (Republicanos-RS) para justificar sua oposição ao fim da escala 6×1. Em entrevista à TV Diário no dia 15, ele defendeu que o aumento da produtividade venha antes da redução das horas trabalhadas. Foi o único voto contrário à proposta no Senado, aprovada por 75 a um em cada turno.

Os argumentos econômicos
“É um país que ainda não pode pensar em diminuir o número de horas trabalhadas e manter o mesmo salário”, afirmou. Mourão relacionou sua posição à informalidade, à baixa produtividade e às dificuldades de qualificação profissional. Citou bares que funcionam diariamente e que, segundo ele, precisariam contratar mais funcionários ou automatizar o atendimento para manter o serviço.

Na avaliação do senador, os custos adicionais poderão ser repassados aos consumidores, provocando inflação e dificuldades para manter empregos. Também previu perda de receita para União, estados e municípios. Durante a entrevista, porém, não apresentou estudos ou cálculos específicos que sustentassem a dimensão desses impactos.

A votação e os possíveis ajustes
Mourão atribuiu a aprovação às pressões populares e ao interesse eleitoral do governo Lula. Também citou a mudança de posição de Flávio Bolsonaro (PL), candidato que apoia e que votou a favor. Apesar das críticas, disse não acreditar em revogação da medida, mas admitiu uma nova PEC para ajustar situações específicas, como as jornadas em plataformas da Petrobras e em voos internacionais. Não detalhou as alterações. O texto aprovado prevê redução de 44 para 42 horas semanais após 60 dias da promulgação e publicação, chegando a 40 horas depois de 12 meses, com dois dias de descanso e sem redução salarial dos trabalhadores já contratados.

A disputa presidencial
Sobre o segundo turno de 25 de outubro, Mourão previu uma diferença pequena e afirmou acreditar na vitória de Flávio. Questionado sobre possíveis conflitos ou contestação, disse esperar que o grupo derrotado aceite o resultado democrático. Caso seu campo político perca, afirmou que continuará trabalhando por seus objetivos eleitorais. (Redação, João Lemes. Fonte: Diário de Santa Maria)

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