Nacional – A aproximação de partidos e candidatos derrotados com Flávio Bolsonaro (PL) reúne grupos que vão além da base bolsonarista, segundo o cientista político Marco Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Em entrevista à Exame, ele afirmou que a rejeição ao PT ajuda a explicar esse movimento. “Se você perguntar para mim qual é o maior partido do Brasil, eu te digo que é o antipetismo”, declarou.
As alianças
Na avaliação do professor, os apoios de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury refletem a oposição desses candidatos ao PT, apesar das críticas que fizeram a Flávio durante a campanha. Teixeira também destaca a aproximação de Republicanos, União Brasil e PP. Para ele, os conflitos do governo Lula com o Congresso e a dificuldade de ampliar as alianças aproximaram setores de centro e de centro-direita do bolsonarismo. O senador, observa, segue um caminho mais próximo dos acordos tradicionais entre partidos.
O desgaste e a economia
Teixeira considera que resultados positivos na economia e programas como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia não foram suficientes para afastar o desgaste político do governo. Na leitura dele, a insatisfação envolve a confiança na gestão e o retorno do debate sobre corrupção, não apenas a comunicação da campanha. Ainda assim, o professor não descarta uma reação de Lula no segundo turno. Ele lembra que fatos novos podem mudar a disputa e que as campanhas não controlam todos os assuntos que chegam ao eleitor.
As dificuldades do PT
O professor aponta que o partido mantém força no Nordeste, mas enfrenta obstáculos para formar lideranças e recuperar terreno no Sul e no Sudeste, principalmente no interior. Segundo ele, o desempenho em grandes capitais mostra que essa dificuldade não aparece da mesma forma em todos os lugares. Teixeira também avalia que o lulismo está mais consolidado do que o próprio petismo e que parte da união em torno do bolsonarismo depende da existência de um adversário comum.
A força das redes
Outro ponto da análise é o avanço de candidatos conhecidos pela atuação nas redes sociais, enquanto lideranças evangélicas tradicionais perderam espaço. Para Teixeira, esse tipo de representação reúne eleitores dispersos, ligados ao conteúdo e ao ativismo digital, e muda a relação com os partidos. Ele cita Lucas Pavanato como exemplo de votação expressiva que não se traduz, necessariamente, em liderança dentro da sigla. Esse cenário, afirma, torna mais difícil prever o comportamento do próximo Congresso e das futuras eleições.
(Redação, João Lemes. Fonte: Exame)
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