Nacional – Quem já estava convicto manteve sua escolha até o final do debate da Globo, no grupo acompanhado pelo instituto Travessia a pedido do Estadão. Entre os seis participantes indecisos, cinco terminaram o encontro mais inclinados a votar em Lula (PT), enquanto uma permaneceu sem definição. A dinâmica ocorreu na noite do dia 23 e foi observada pela reportagem.
Os limites da análise
O cientista político Renato Dorgan coordenou o trabalho com 12 moradores de São Paulo: seis indecisos, três eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) e três de Lula. Durante a transmissão, eles usaram cartões para indicar aprovação, neutralidade ou reprovação. A pesquisa é qualitativa, voltada à compreensão das reações, e não permite calcular intenções de voto nem projetar o resultado da eleição.
Os episódios que pesaram
Segundo Dorgan, a inclinação ao petista ocorreu principalmente por erros do adversário. Um dos momentos de maior rejeição foi a resposta de Flávio sobre Ana Clara Gomes Machado, menina morta por um disparo que teria partido de um policial para quem o senador atuou como advogado. Ao confundir o nome da mãe com o da filha, ele provocou críticas por aparente falta de empatia. A expressão “nove dedos”, usada contra Lula, também recebeu reprovação depois que o presidente lembrou ter perdido o dedo em um acidente de trabalho.
As propostas e as avaliações
Flávio recebeu avaliações positivas ao falar sobre segurança no Nordeste, propostas para o SUS e redução da maioridade penal, embora parte do grupo tenha considerado exagerada a proposta de 14 anos. Lula agradou ao abordar investimentos no agronegócio e ao responder à provocação sobre sua deficiência. Mesmo assim, Dorgan destacou que os participantes fizeram poucos elogios ao desempenho dos dois.
O voto que permaneceu firme
Até eleitores de Flávio criticaram a provocação ao presidente, mas não mudaram de candidato. Para o coordenador, o resultado mostra a diferença entre reprovar uma fala e abandonar uma preferência consolidada. Já entre os indecisos observados, os episódios negativos tiveram mais peso que as propostas na avaliação final. (Redação, João Lemes. Fonte: Estadão)
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