Ele contesta as acusações de ameaça, cobra respostas sobre suas denúncias e enfrenta dificuldades para trabalhar e estudar
São Francisco de Assis – RS – (Região de Santiago) – Leandro Gonçalves Bordignon procurou o NP para tornar pública uma disputa familiar que, segundo ele, comprometeu sua renda, seus estudos e sua saúde emocional. Ele contesta as acusações que motivaram uma medida protetiva e questiona o andamento de registros contra a ex-companheira.
Encaminhou fotografias de parte de uma sentença sobre a separação e de uma ocorrência por calúnia e difamação. Os documentos confirmam pontos do depoimento, mas não permitem concluir que houve acusação falsa, omissão policial ou irregularidade dos profissionais citados. Nós ouvimos esse pai e seguimos à disposição da sua ex e das autoridades.
NP – Quem é o Leandro e por que decidiu falar?
Leandro – Sou de São Francisco. Sou trabalhador, tenho registro como soldador, trabalho como pedreiro e tenho mais de 12 cursos. Também sou socorrista do Samu. Procurei o jornal porque considero grave o que estou vivendo e quero que minha história seja conhecida.
NP – Como aconteceu a separação?
Leandro – Vivemos juntos por dez anos e tivemos um filho. A separação ocorreu no começo de 2022. Depois, fizemos um acordo judicial de guarda compartilhada. Reconstruí minha vida, tenho minha casa mobiliada e nunca procurei incomodar minha ex-companheira, que constituiu outra família.
NP – O que o senhor diz sobre o cumprimento do acordo?
Leandro – Ela cumpriu durante dois anos e deixou de cumprir há três. Nosso filho mora com os avós maternos no interior, enquanto a mãe mora na cidade. Ele depende de transporte para os deslocamentos. A mãe e os familiares dificultam sua vinda à minha casa e influenciam sua relação comigo.
NP – Há quanto tempo o senhor diz estar afastado do filho?
Leandro – São três anos sem convivência: três Dias dos Pais, dois Natais, duas viradas de ano e três aniversários dele. Meu filho está perto de completar 14 anos. Meus pais sentem falta do neto, e meus irmãos estão indignados. Quando fui comprar uma pilcha, perguntaram por que ele não estava comigo para experimentar. Fiquei constrangido.
NP – O que foi feito para tentar resolver isso?
Leandro – Registrei na delegacia o que considero descumprimento do acordo, e o assunto foi encaminhado ao Fórum. Pelas minhas contas, espero há dez meses por uma audiência. Quero que seja presencial para que meu filho também possa falar.
NP – Como surgiu a denúncia contra o senhor?
Leandro – Depois da minha reclamação sobre a convivência com o filho, minha ex-companheira me denunciou. Segundo a versão que contesto, eu teria feito uma referência racial ao atual marido dela e falado em comprar uma arma e machucar alguém. Essa acusação teria chegado por uma sobrinha dela. Não fiz ameaças nem cometi racismo.
NP – Como o senhor responde à acusação de racismo?
Leandro – Sou de família negra, minha avó é negra, minha família é negra. Admiro toda a comunidade, brancos, negros e pardos. Tenho uma pasta com provas para minha defesa.
NP – O que aconteceu depois da denúncia?
Leandro – Ela pediu uma medida protetiva em novembro do ano passado, e passei a usar tornozeleira. Calculo que estou com o equipamento há dez meses. Considero a acusação falsa e nunca descumpri a determinação de não me aproximar dela.
NP – Quais são os questionamentos sobre a atuação policial?
Leandro – A denúncia contra mim teve andamento, enquanto minha reclamação por calúnia e difamação não recebeu o mesmo tratamento. Não houve busca em minha casa e afirmo que não fui chamado para depor sobre o fato. Fui ao Fórum e não localizei um inquérito relacionado à minha denúncia.
NP – Como o monitoramento afeta seu trabalho?
Leandro – A necessidade de sinal para a tornozeleira dificulta meus deslocamentos e o trabalho no interior. A safra da melancia está chegando, e isso me preocupa ainda mais. Estou sem trabalhar, tenho dificuldades para pagar a pensão e já não consigo manter a internet em casa. Fiz inscrição no Cadastro Único para tentar obter auxílio e cumprir minhas obrigações.
NP – E o que aconteceu com os estudos?
Leandro – Eu cursava uma formação superior ligada à investigação e à perícia criminal, em Santiago. Desde o começo do ano, enfrentei reprovações, repetição de semestre e dificuldades financeiras. Acabei cancelando o curso por falta de condições. Isso virou uma bola de neve na minha vida.
NP – O senhor contratou um advogado?
Leandro – Paguei cinco mil a um advogado particular, o equivalente a dez pensões do meu filho. Está perto de completar um ano, e não obtive a solução que esperava. Pretendo procurar outro profissional e questionar o atendimento recebido.
NP – Qual é a preocupação com o atual companheiro da mãe?
Leandro – Professoras informaram que ele buscava meu filho na escola sem a mãe. Procurei a direção, manifestei minha oposição e isso deixou de acontecer. Meu pai também viu os dois passeando e tomando sorvete no centro. Tenho informações não comprovadas sobre a origem dele em Santo Augusto, uma passagem pelo serviço militar em Santiago e uma suposta saída da corporação.
Obs.: Aqui, Leandro traz outros assuntos graves que deixamos de publicar.
NP – O que o senhor pretende fazer agora?
Leandro – Quero outra orientação jurídica, esclarecimentos e avaliar um pedido de indenização pelos prejuízos que atribuo à situação. Também considero que houve abuso de autoridade, mas essa é minha avaliação. Quero trabalhar, retomar minha vida e conviver com meu filho.
NP – Como o senhor está emocionalmente?
Leandro – Sou conhecido na comunidade, tenho apoio de familiares e me considero honesto e trabalhador. Mesmo assim, estou abalado. “Eu não ando bem mais.” Preciso procurar um psicólogo com urgência.
O que os documentos mostram
A página da sentença identifica Leandro Gonçalves Bordignon e registra uma união entre setembro de 2012 e janeiro de 2022. Prevê guarda compartilhada, com moradia do filho na casa materna e convivência com o pai em fins de semana alternados e nas segundas e terças-feiras, com ajustes mediante diálogo e aviso prévio. A imagem, sozinha, não comprova o descumprimento posterior nem informa se houve novas decisões.
O registro policial é de 23 de dezembro de 2025 e menciona calúnia e difamação.
A sessão marcada e a insatisfação do pai
Quando encerrávamos a entrevista, chegou uma certidão informando que a mediação familiar foi marcada para 4 de novembro, às 15h30, por videoconferência. Leandro ficou descontente: queria uma audiência presencial, com a participação do filho, e também questiona o atendimento vinculado a outra cidade. O documento permite o acesso por computador ou celular e identifica o pai e a mãe como participantes, sem mencionar a presença do adolescente.

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