fim do 6×1: especialistas alertam sobre risco de trabalho informal

A mudança pode estimular contratações sem carteira

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Nacional – Pequenas empresas podem enfrentar mais dificuldades para reorganizar turnos e absorver custos com duas folgas semanais remuneradas. Economistas ouvidos pela Folha avaliam que a mudança pode estimular contratações sem carteira ou horas pagas “por fora”, mas não projetam demissões em massa. A hipótese de aumento da informalidade, porém, não é consenso.

As avaliações
Gabriel Ulyssea, da University College London, considera a redução um avanço e prevê impactos diferentes conforme o setor. Sergio Firpo, do Insper, vê risco de substituição de empregos formais por informais, especialmente em pequenos estabelecimentos com menos fiscalização. Já Marilane Teixeira, da Unicamp, afirma que reconhecer as dificuldades de adaptação não basta para concluir que haverá mais trabalho sem proteção: essa relação precisa ser demonstrada.

A adaptação das empresas
Segundo os especialistas, a redução de 44 para 40 horas semanais, feita de forma gradual, tende a suavizar os efeitos. Uma pesquisa do Sebrae citada na reportagem mostra que 27% dos entrevistados esperavam impacto negativo em 2026, contra 32% em 2024. Outros 51% não previam impacto. Entre as estratégias mencionadas estavam o aumento dos preços, com 28,9%, e a reorganização dos turnos, com 24%.

O tamanho da informalidade
Conforme os dados do IBGE apresentados no texto, 38,6 milhões de trabalhadores estavam na informalidade no segundo trimestre de 2026, o equivalente a 37,4% da população ocupada. As taxas variavam de 56,9% no Maranhão a 25,4% em Santa Catarina. Para os pesquisadores, o problema também envolve baixa produtividade, desigualdades regionais e dificuldades de acesso a empregos protegidos. Teixeira ressalta que abrir um CNPJ não garante renda adequada, estabilidade ou contribuição à Previdência.

As medidas de apoio
A reportagem informa que o governo federal prepara uma proposta de perdão de dívidas para empresas de eventos enquadradas no Simples Nacional e uma linha de crédito subsidiada pelo BNDES para pequenos negócios. As medidas são apresentadas como previstas. Entre as sugestões dos especialistas estão assistência técnica, crédito, reorganização das jornadas e fiscalização. Teixeira defende que a informalidade não seja aceita como saída para manter um empreendimento.

(Redação, João Lemes. Fonte: Folhapress/Douglas Gavras)

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