Capão do Cipó – RS – (Região de Santiago) – A comunidade perdeu há poucos dias o vice-prefeito Elso Engleitner, aos 70 anos. Participante da luta pela emancipação, ele também deixa lembranças que não cabem nos registros da vida pública. Em entrevista ao NP Expresso, o filho Artur Garzao Engleitner contou como era o pai dentro de casa, na propriedade e nos momentos em família: reservado com os próprios problemas, mas sempre preocupado com os outros.
Na foto acima:Elso ao lado do prefeito Froner, do ex-prefeito Meneghini e do atual vereador Ibanez, entre outros.

A chegada e a emancipação
Natural da região de Ijuí, Elso chegou a Capão do Cipó em 1984, depois que a família vendeu as propriedades na região de Redentora. Veio para produzir e se integrou à comunidade. Mais tarde, tornou-se vice-presidente da comissão emancipacionista e trabalhou para transformar o desejo de independência do município em realidade. Foi vice-prefeito no governo de Osvaldo Froner e ocupava novamente o cargo, ao lado do prefeito Adair Cardoso, pela coligação MDB-PDT.
O pai que começava o dia cedo
Artur, o filho mais novo e sócio do pai na propriedade, guarda a lembrança de uma rotina que começava cedo. Às 6h30, Elso já estava tomando chimarrão e tratando do que seria feito naquele dia. Era otimista: diante das dificuldades, acreditava que tudo tinha solução. Sobre si, falava pouco. Sobre os outros, demonstrava preocupação. Para o filho, era uma pessoa de caráter, respeitada e de palavra, que gostava de estar perto da família e cuidar dela.


As pequenas coisas da vida
Elso gostava de pescar em riachos, preparar o chimarrão e cuidar dos animais. Também tinha suas particularidades: na hora do churrasco, não gostava de palpites. São esses detalhes, tão familiares, que ajudam Artur a contar quem era o pai além do cargo. A mesma pessoa que participava das decisões do município encontrava satisfação nas coisas simples, no trabalho da propriedade e na companhia dos seus.

A família que ele cuidou
Elso deixa a esposa, Lígia Rosane Garzão Scherer, os filhos Artur Garzao Engleitner, Elso Engleitner Filho (Jaderson Engleitner, o Jaja – em memóia) além das suas noras. Também criou desde pequenos os enteados Felipe Garzao Scherer e Andressa Garzao Scherer, que perderam o pai quando ainda eram crianças. Na história da família, permanece ainda a lembrança de sua mãe, dona Olinda, que faleceu com quase 100 anos.
O companheiro de trabalho e de decisões
O prefeito Adair Cardoso, amigo e companheiro político, se referia ao vice como “seu Elso”. Ao NP Expresso, contou que ele foi uma das pessoas mais tranquilas com quem trabalhou. Os dois falavam o que precisava ser dito e, quando discordava, Elso o fazia com elegância. Lado a lado, dividiram decisões, conquistas e o enfrentamento dos problemas administrativos. Adair ficou muito abalado com a perda, sentimento compartilhado pela comunidade.

Agora, entre os seus, ficam o exemplo de cuidado e a saudade de quem começava o dia cedo, com o chimarrão e a confiança de que os problemas poderiam ser resolvidos. (Redação, João Lemes. Fonte: entrevista de Artur Garzao Engleitner ao NP Expresso)
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