Deputado Pimenta pode estar envolvido em esquema de fraude na fronteira

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Investigação que se arrasta há 10 anos apura estelionato que teria causado prejuízo de 12 milhões a produtores de São Borja 

Tudo voltou à tona com o depoimento de um primo do deputado, o veterinário assissense Antônio Mário Pimenta (Maíco). Ele diz que o deputado era “operador” de um esquema que lesou arrozeiros de em 12 milhões. Os produtores alegam ter sofrido o golpe ao venderem a produção para uma arrozeira. Entregaram, mas não receberam.

“Eu sou de uma leva de uns seis ou mais que perdemos de 7 mil a 10 mil sacos de arroz. E teve dois ou três que levaram prejuízo de 90 mil sacos, outro de 150 mil sacos — afirma um dos agropecuaristas” para a Zero Hora.

Ao cobrarem a dívida do administrador da arrozeira, o veterinário Maíco, 53 anos, os produtores ouviram que o verdadeiro dono seria o primo dele, o deputado Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados.
(Pimenta nega tudo e acusa a RBS de fazer perseguição por causa da Operação Zelotes, em que ele denunciou o grupo jornalístico)

Localizado pela RBS TV em São Francisco, Maíco admitiu ligações do primo com a empresa. Disse ter assumido a arrozeira ao ser convencido pelo deputado de que seria um bom negócio.

Posto de gasolina
Maíco diz que algumas vezes a arrozeira chegou a dar lucro. E que fez transferências para um posto de gasolina do deputado, em Porto Alegre. Fez remessas em pequenas quantias por orientação do deputado. Avaliado em 485 mil, o posto aparece na relação de bens de Paulo Pimenta. Em 2014, fez doação de 15 mil para a campanha do petista.

Diz ainda que não teve intenção de enganar os produtores. Ele admite, no entanto, que houve má gestão. E que as operações da empresa se transformaram numa espécie de “pirâmide”, na qual novas transações eram feitas para cobrir rombos anteriores.

Ele foi orientado pelo primo a deixar São Borja após o calote, mas decidiu permanecer. Mudou-se apenas há poucos meses, para cuidar das terras da família em São Francisco.

“Só do meu bolso já perdi pra mais de 400 mil, entre (ações) trabalhistas e coisas que foram pagas. Eu paguei dívidas vendendo gado. Sou produtor. Minha origem é dentro de uma cooperativa”, disse ao jornal Zero Hora. 

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