O senhor das balas

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(por João Lemes)
Santiago – Incrível! Até a polícia federal tira o chapéu pra polícia civil de Santiago. Os caras andaram por aí tudo e não acharam o esconderijo dos traficantes de munição. Aí, coube à nossa equipe santiaguense essa missão: desentocar o estoque.

Numa mesa toda parafusada, com as cabeças dos ditos parafusos meio desgastadas, repousou a desconfiança dos homens da lei. Ao lado, umas chaves de fenda prontas para abrir a “loja”, um fundo falso na mesa,  o qual estava “crivado” de balas de todos os calibres, seja para arma de caça ou para armas de uso restrito. 


Mais de mil munições, na maior apreensão deste tipo em Santiago. Tudo estava devidamente embalado por tipo e com os preços nos pacotinhos. Só faltou a vitrine com ofertas!

O casal que estava na casa foi pra delegacia. Conversa daqui e dali e nada que comprovasse a propriedade do contrabando. Foi aí que surge o “senhor das balas”, prontito para dar depoimento, e já com seu “adeva” a tiracolo. Esperto como tal, falou, falou e foi pra casa. Fazer o quê; é a lei!

O pior é que nem o nome do contrabandista foi dado, graças a uma praxe da polícia, já que não houve flagrante. Mas no decorrer do processo isso vai vir à tona. Se bem que a divulgação do nome de gente com “este calibre” não mudará em nada sua rotina. Ele contrabandeia há séculos, desde armas, balas,  bebidas e o escambau… 


Ah! Só pra constar: será que ele vendia essas balas só pra civis? Pessoas ditas do povo, ou alguma autoridade também entrava pro grupo da clientela? Por que foi preciso intervenção da federal? 

O que resta disso tudo é a eficácia da polícia civil (que achou), a facilidade em trazer estes troços proibidos, a grande clientela que há na região e a fraqueza da nossa lei. Resta aceitar que essa torneira não se fecha assim, ainda mais numa região crivada de caçadores e demais atiradores. Lembra-me até da vez em que resolveram proibir o jogo de baralho no Brasil, sem fechar as fábricas de cartas.

Então, que esperar? Que o senhor responda a um processinho, que não vá nem preso. E como das outras vezes, siga no ofício normalmente, afinal, ele é um velho conhecido da polícia civil, (agora também da federal) e da justiça.

Até hoje ninguém conseguiu lhe dar um remédio à altura de sua audácia ou descaramento. Ninguém conseguiu dizer a ele: Deu!, chega, basta(o)! 

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