(J.Lemes)
Por mais respeito que eu tenha por todas as crenças, por mais que eu me esforce para entender, jamais conseguirei descobrir o mínimo de razão para fazer tanta gente levar flores, bebidas etc, ao túmulo do Russo, no dia de Finados. Todos sabem que ele foi um marginal, um bandido, um assassino frio, no entanto, como diz o velho adágio, depois de morto, todos viram santo, mais ainda o Russo.
Talvez esta crendice, essa quase bestialidade em se cultuar o “nada” – sim, porque lá no dito local onde o bandido foi enterrado não há mais nada – venha pela mesma razão pela qual tememos o desconhecido. Por que a criança tem medo do escuro? Porque não consegue ver nada. Por que temos mais medo da cobra que dos outros bichos? Porque não a vimos…
No caso da fé (ou temor) é a mesma coisa, creio. Temos medo do que não vimos e por isso ou acreditamos e rezamos por ele (ela) ou a tememos eternamente. Estes somos nós, o bicho-homem, apelidado de mais inteligente dos animais. Mas fé, é fé. Cada um tem a sua e devemos respeitar.
Estes não parecem nada bobos…
…e botaram fé neles mesmos.
Quem aproveitou para lucrar um pouco com o Dia de Finados foram os vendedores de flores Valdir Santos Correia (abaixo) e João Brum (acima). Seu Valdir vende todos os anos e vê neste dia uma forma de arranjar um dinheirinho extra. Já o seu João comenta que é uma tradição familiar vender flores, velas, fósforos em frente ao cemitério. “Trago minha esposa e filhas para me ajudarem a vender. Já faz mais de 15 anos que vendo aqui”, comentou.