ARTIGO DO DIA
(João Lemes)* Hoje terminei de ouvir a entrevista do candidato Bolsonaro (PSL) no Roda Viva. Ele veio bem melhor na TV que nas redes, onde diz o que pensa e o que as pessoas querem ouvir. Mas alto lá! Esse “bem melhor” não significa que tenha mudado seu jeito de resolver coisas complexas numa simples frase.
Os jornalistas se desviaram de temas mais profundos para tirar o país da crise, se apegando ao estilo Bolsonaro, tratando mais de racismo, misoginia (aversão às mulheres), bandidagem, ditadura etc. Sobre isso a gente já sabe o que ele pensa. Quando finalmente entravam nos cernos das questões (“cuestão” – como diz Bolsonaro), que são economia, saúde e educação, o candidato deslizava, como sempre.
A principal parte foi quando questionaram o porquê de todo o tempo em que foi deputado, ele não ter se aprofundado em economia. De novo saltou fora do tema e só alegou que tem gente para isso.
Antes que me digam que Lula também não entendia de economia, que fulano também não entendia etc, digo que um presidente precisa saber de economia sim, afinal, resolvendo esse problema, se resolve uma montanha de outros.
As vantagens de Bolsonaro
O candidato deve seguir crescendo nas pesquisas e pode vir a ser o presidente. Ele tem a seu favor o fato de nunca ter sido executivo, portanto, nunca errou. Não tem nada que envolva em corrupção (e aí ele foi bem na entrevista). Fala muito em combater a marginalidade, o maior sonho de consumo de todos nós. Combate com força o exagero da esquerda em certas questões sociais e, principalmente, promete combater com toda a força a ladroagem instalada no poder.
Deu? Aqui vai mais uma vantagem: os demais candidatos são péssimos e o “melhorzinho” no gosto do povão, está preso. O único que poderia fazer um costado seria o Ciro Gomes (PDT), mas me saiu com uma baita bobagem dizendo que iria calar Ministério Público e Judiciário, como se Lula estivesse preso injustamente.
Lógico, Ciro queria era os votos do PT. Pode até conquistar, mas o meu ele não terá mais, tampouco Bolsonaro ou Lula. Como tudo pode mudar em 60 dias de campanha, ainda sonho com alguém menos pior do que os que se apresentam.
Antes de encerrar, devo dizer que Bolsonaro é populista, debochado e semeador de ódio. Como vai governar assim? Sem partido, sem adesões, sem a imprensa e sem apoio dos pensadores brasileiros, os quais não engolem senso comum?
Como bem falou a jornalista Rosane de Oliveira: “É provável que Bolsonaro não tenha perdido um voto sequer com as respostas confusas que deu no Roda Viva. Não se sabe se ganhou algum. Nas redes sociais, seus seguidores avaliaram que “o mito arrasou” e “deu uma surra nos jornalistas comunistas”, como são chamados os repórteres que fazem perguntas incômodas”.
*Jornalista, escritor e mestre em Educação pela UFSM.



