(João Lemes) Meu primeiro contato com Oracy Dornelles (na foto comigo) foi em função de um livro seu, cuja paginação estava sendo feita pelo nosso jornal. A cena da primeira vez que veio à redação ainda está bem viva na minha memória. O homem da boina preta e do cabelo branco e comprido, entrou pé ante pé e recostou-se à parede, ao lado do computador, onde seu livro era paginado. Oracy não ficou ali mais que 10 minutos e sumiu sorrateiro, da mesma maneira que entrou. Por tão tímido (ou xucro), desnecessário dizer que não dirigiu a palavra a quase ninguém.
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| Na redação, com Márcio Brasil. |
Decorridos alguns dias daquela tímida visita, estou praticando a corrida de final de tarde e me cruzei com Oracy, que nem me olhou. Mas eu voltei e o cumprimentei.
– Como vai, seu Oracy?
– Vou bem. Mas você não é o João Lemes, diretor do Expresso?
Com aquela frase, nascia nossa amizade.
Daí em diante convivemos muito. Tudo graças ao amigo Márcio Brasil, seu eterno fã e que me fez ver o gênio que havia naquele cara ranzinza e raso nas palavras.
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| Estudando os astros. Foto histórica, de Márcio Brasil. |
Hoje posso dizer com o maior orgulho; esse gênio muito colaborou com o nosso jornal e comigo, seja me ensinando trocadilhos, crônicas, críticas gerais. O Expresso ganhou muito com suas caricaturas e epitáfios etc. Também me sinto orgulhoso em poder tê-lo homenageado pela sua participação no Programa do Jô, onde mostrou seu circo de pulgas para o mundo.
O Brasil conheceu o domador de pulgas, mas ele queria mesmo era que o povo brasileiro soubesse de uma outra arte; não a de “domesticar” pulgas, não a de micropintor ou astrônomo… Ele queria ser reconhecido como poesia.
Quem sabe agora alguma grande editora resolva fazer como foi feito com grandes gênios da humanidade, que só foram reconhecidos após a morte.
Parafraseando o Márcio, encerro essa fala: “Oracy, um homem que viveu à frente de seu tempo”.





