(João Lemes)*
Escrevi a semana toda e aqui estou para mais umas escritas. Hoje podemos extrapolar. É dia do professor. Poucos sabem, mas também sou professor. Não é por isso que escrevo. Só sei que, como tal, eu também sinto o quanto a classe é desvalorizada. Não sem razão que a todo dia se vê aberrações na escrita. Gente repetindo frases prontas. Perante à incapacidade de criar, falam discursos lindos, lindos e dos outros. Não, não é nenhuma discriminação linguística. É uma constatação triste de que o povo brasileiro está emburrecendo.
Todos querem educação pelo dinheiro que ela traz, poucos querem ensino e cultura, como disse o sábio Cristóvão Buarque. E nós, professores, vamos cansando de tentar ensinar. É pra cansar mesmo. No país do jeitinho, da falta de moral, o professor é o que menos importância tem para os governos. Há interesse de que o povo siga assim, repetindo discursos vãos, lendo menos e sabendo menos ainda da real situação do país e de seus governantes. É triste a mão. Muito triste. Fica esta reflexão.
*jornalista e professor



