As lições da pandemia e outras reflexões

Não dá para negar. Sempre se pode aprender, mesmo nos piores momentos. Hoje se aprende inglês sem sair de casa. E não estou citando a teacher Lígia Rosso e seu canal Inglês para todos. Falo da introdução no Brasil dos termos ingleses para designar ações durante a pandemia. Veja:

O seu look down
É drive-thru, look down, delivery in box, home office, e-commerce, outbreak… É tanto nome familiar que alguém já está colocando nos filhos, dizendo que é para marcar época.
O vírus e o pânico
Com o novo e curado caso de coronavírus em Santiago, alguém já andou dizendo que a cidade tinha quatro casos, o que não é verdade e só serve para semear pânico. O Nova Pauta trouxe a matéria e, de cara, alertou que não era um “novo caso”, mas alguém que apenas teve contato com o vírus. Para fins estatísticos serve, para criar pânico, não.
Pega nas não me pega
Como vimos, cerca de 80% podem pegar o vírus mas nem saberão disso. Serão os ditos assintomáticos. Até aqui, tudo bem. O problema é a outra estatística: cerca de 100% acredita que esteja entre os 80% que não terão sintomas. Aí seria fácil…
Morreu de quê?
Outro detalhe é quando ouvimos que milhares morreram no Brasil. Aí surge um Lemes e contesta: “Mas não foi só de coronavírus”.
Ah, bom. Então, tá especial.
A vergonha do compadre
Certa vez um compadre não via o amigo há anos. Um belo dia o cara morre. O amigo ficou meio sem jeito do lado da viúva, pois nunca mais havia botado os pés (nem as mãos) no casa dos compadres.
- De que morreu o compadre?
- Pneumonia – diz a viúva.
- Dupla ou simples?
- Simples
- Nossa, ainda bem!
O pulso ainda pulsa
Há os que traz lista de mortes por outras causas e fazem até apostas sobre qual peste mata mais. Gripe A, febre amarela, dengue, tifo, Aids… Lembra até a famosa canção dos Titãs, “O pulso ainda pulsa”. Vejam pare da letra:
O pulso ainda pulsa…
Peste bubônica, câncer, pneumonia
Raiva, rubéola, tuberculose, anemia
Rancor, cisticercose, caxumba, difteria
Encefalite, faringite, gripe, leucemia
O pulso ainda pulsa”

Valdemiro, o carudo
Com esse negócio de benzimentos e milagres, tinha visto de tudo, mas confesso que a dos feijões mágicos me rapou os trocos. Esse Valdemiro merece uma taça por ser tão criativo, para não dizer carudo.
Maconha x coronavírus
Cloroquina, detergente, feijão mágico do pastor Valdemiro. Que mais? Agora também tem a maconha.
No Canadá, pesquisadores acreditam que maconha possa bloquear a infecção. Estudos apontam que variedades da cannabis podem chegar a 80% de eficácia. Pelo menos 12 das 400 variedades da planta que foram testadas e conseguiram diminuir em 73% o número de receptores do vírus.
Para encerrar a prosa de hoje vou repetir o que tenho ouvido. Numa loja, ao ouvir a atendente dizer que não poderia entrar sem mascara, um senhor disse-lhe:
- Minha filha, eu uso.
- Por quê?
- Porque eu não acredito nisso!
Na fila da caixa um senhor aguardava. Nisso chega um moçoilo com as calças pela virilha, pitando um daqueles e sem mascara. “Pro que foi”. Olhando de soslaio o veinho lhe disse:
- Escuite! Vá feder e contaminar noutra freguesia. Raspa daqui.
Em Minas uma senhora inventou de espirrar num ônibus e foi tirada pra fora a laço.

E as máscaras?
Já viram como são criativos? No dia das mães um esposa disse ao marido que havia comprado uma com o desenho de um sorriso. ´E que a sua mãe, sogra dele, passaria o fim de semana com a família.
Criatividade é tudo
Agora, o que não falta é criatividade para os brasileiros. Logo vai surgir a máscara para fumante, para quem adora uma birita, parta quem fala sem parar (tipo eu) e para que quer dar beijos na boca.
De volta ao futebol,
só que não
Com a falta de colorado e gremistas se pegando no face e nos campos (no bom sentido), um jornalista propôs cobrança de pênalti para atrair a mídia. Eu sugiro mais: melhor é o velho gol a gol (seguido do gole a gole). Também tem o goleiro em linha. Seria uma espécie de nós, vos contra todos.



