
Jamais pensei viver para ouvir a frase “A cidade decreta o toque de recolher”. Pois chegou a vez do tal toque. Lembrei da “Lei do Borges”, quando a polícia batia primeiro e depois perguntava. Moleque nas ruas em altas horas, nem pensar. Sim, era quase um toque de recolher. Mas saibam que obrigado mesmo, só pau de arrasto. Mesmo assim, tranca. Até burro empaca e não vai.
Essa de toque é mais uma coisa ilegal em meio a tantas contradições desta pandemia. Com tanta má interpretação da constituição, surge mais uma norma que não vai funcionar. Claro que a medida tem lá suas razões. Estamos lidando com uma pandemia jamais vista, mas todos sabemos que aplicar o toque de recolher é ilegal. Diante disso, o protocolo de Santiago explica que é uma recomendação, não imposição.
Com toque ou sem toque, dei uma saída e notei completo silêncio. A verdade é que precisamos nos recolher por extrema necessidade. E se vocês virem alguém pelas ruas gazeando, à toa como passeio de cobra, é melhor dar um toque para as autoridades, que carinhosamente, sem a lei do Borges, espero, vão encaminhar o sujeito para sua humilde residência.
Como meu tio dizia, conforme o toque, é a dança!



