O Chicão – Coração. Da série ADORÁVEIS POLÍTICOS

Publicado em

Chicão, Paulo Cardoso (também falecido) e eu

(João Lemes) Muitos de hoje tentam se comparar ao maior líder que esta região conheceu; o Chicão. Só que este cara era inteligente, por isso, nunca bateu em ninguém menor que ele. Certa vez, me disse: “João, se a pessoa for maior que você, muito forte e quer lhe bater, não entre em briga para perder. Agora, se ela for menor, fraca, um coitadinho, seja humilde, se dobre e conquistarás o mundo”.

Depois dos desacertos numa certa campanha para prefeito, o beijo da reconciliação

Inicio uma série de artigos sobre os políticos da nossa região. Chicão, para mim, foi o mais marcante. Ele morreu em 2011, com 54 anos – a idade que tenho hoje.

Como estamos em ano eleitoral, em breve você vai ler aqui o meu artigo sobre esse líder histórico que a região e o RS conheceram. Falarei de como ele passou de vice a prefeito e a deputado.

Antes de aportar em Santiago, andei por dezenas de cidades. Conheci todo tipo de pessoas. Para minha sorte, a maioria, especiais. Gente disposta a ajudar e a lutar por melhores dias. Jamais poderei dizer que fui mal recebido em algum lugar.

Desde que deixei minha Coronel Bicaco, andei por Cruz Alta, Panambi, Condor, Júlio de Castilhos, Alegrete, Uruguaiana (interior), Tupanciretã etc. Há 15 anos estou em Santiago, onde resolvi ficar até quando Deus quiser, pois foi a que melhor me acolheu. Gostei também de todas as outras, mas Santiago é diferente. As pessoas são diferentes. São mais acolhedoras e, acima de tudo, valorizam quem vem de fora disposto a somar.

Logo que eu cheguei a Santiago, tive a felicidade de conhecer a pessoa de José Francisco Gorski, o nosso falecido deputado Chicão. Ele ainda atuava como engenheiro civil e presidia o Cruzeiro, para o qual, queria organizar um informativo.

Pensando em oferecer nossos serviços, resolvemos procurá-lo. Chicão nos recebeu em casa. Ao ver aquele homem sério, acreditei ser alguém de poucos amigos. Tratei logo de explicar como seria o trabalho para ir logo embora. Ele olhou, marcou o que deveria ser mudado.

Quando quis bater sua foto para ilustrar a parte da presidência, me disse que não precisava. Era um trabalho para mostrar apenas o Cruzeiro, não a diretoria. Tudo bem! “Amarra-se o burro à vontade do dono”, pensei. E me despedi. Só voltamos a nos ver quando o informativo ficou pronto.

Sempre ouvi dizer que a primeira impressão é a que fica. Chicão não me transpareceu ser muito popular, em compensação, notei que sobrava seriedade em seus atos. Também percebi que ele apostava nas pessoas, como apostou em nosso trabalho, não se importando com o fato de sermos de fora.

O que ele queria mesmo não era causar boa impressão, mas um serviço a contento, objetivo que alcançamos. Estava iniciada a boa relação com aquele desportista, que, anos depois, seria um dos prefeitos mais consagrados. Um especialista em projetos sociais.

Meus encontros com o prefeito Chicão não foram muitos. Mais o procurei quando o assunto era trabalho, mas é inegável que, durante todos esses anos, aproveitei cada palavra que ouvi dele. Lembro-me de que, certa vez, pouco antes das eleições de 2000, Chicão resolveu assumir que era candidato a prefeito, ainda quando ele e Toninho Gomes comandavam a prefeitura.

Deve ter sentido que chegara a sua vez de concorrer, sob pena de deixar o cavalo passar. Toninho, por certo, também queria concorrer e, naquele quero não quero, quem agiu primeiro foi o Chicão. Me procurou e perguntou se eu queria uma manchete. Respondi que sim, pois vivo disso.

Chicão e Tonho Gomes comandaram por anos
  • A notícia que tenho é bombástica e ninguém sabe. Portanto, se for sair de forma discreta vai acabar melando meu plano. Seria preciso dar a ela o espaço que merece ou deixá-la de fora – me disse ele, apreensivo.
  • Lógico que tratarei o tema com toda a atenção e lhe darei o espaço que for necessário – respondi, sem pestanejar.

No outro dia o jornal chegou às ruas com a manchete: Chicão é pré-candidato a prefeito. Logo abaixo, o subtítulo endossava o que todos já desconfiavam: Está desfeita a dupla Toninho e Chicão.

Cabe ressaltar que após sair da prefeitura e se eleger deputado, andava uma certa disputa interna no partido sobre quem seriam os candidatos a prefeito e vice. Acabou indo Ruivo pra a releição de novo mais uma vez com Toninho de vice, tudo por uma posição de Chicão.

Ambos os prefeituráveis (Toninho e Chicão) foram para a convenção e o PP se dividiu. Chicão sofreu, enfrentou intrigas internas e a crítica por ter quase rompido com seu colega de administração, mas passou na convenção com 29 votos contra 25 de Toninho. Foi eleito prefeito com folga. Na reeleição, em 2004, venceu por mais votos ainda (10 mil de diferença) e entrou para a história do PP como um dos prefeitos mais votados do interior do Estado.

Durante os anos que se seguiram, as relações da prefeitura com o Expresso foram as melhores possíveis. Quando havia elogios, Chicão nem ligava, mas também permanecia em silêncio ante as críticas. Enfim, posso garantir que o Chicão se manteve o mesmo desde aquele dia em que o conheci, fazendo o informativo do Cruzeiro.

Chicão e Júlio Ruivo; uma dupla de notáveis.

Até com a mesma cara sisuda. Todavia, depois de algum tempo, acabei descobrindo que por trás daquele rosto sério, carrancudo, estava um homem inteligentíssimo e, sobretudo, puro de coração. Basta olhar para seus projetos voltados às pessoas carentes que comprovaremos essa verdade. Também deveremos tentar responder às seguintes perguntas:

Quem é que nunca teve hora para atender alguém, nem que seja só para ouvi-lo? Quem é que recebia até as críticas mais fortes e matava no peito como quem prepara um chute de retorno à base da boa educação e carinho? Qual é o prefeito que sai de férias e leva um grupo de crianças pobres? Levanta cedo, cozinha e passeia com elas? Que chora ao ver que essas mesmas crianças são o fruto do sucesso que é o projeto Criança Feliz, considerado pela crítica como uma das maiores obras sociais do interior? Só poderia ser ele, o Chicão-coração.

Luto no Estado
O governador Tarso Genro (PT) decretou luto de três dias no Estado pela morte do deputado estadual José Francisco Gorski (PP), ocorrida na madrugada de domingo, 13/11/2011. O governador veio a Santiago, no velório do deputado e ex-prefeito.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

184.758

132,618FãsCurtir
73,451SeguidoresSeguir

Notícias Recentes

Dois adultos e duas crianças

Novo Barreiro - RS - (Região de Palmeira das Missões) - O acidente ocorreu...

Nuvem em formato de disco chama atenção

Cândido de Abreu - PR - Uma estrutura circular e em camadas apareceu no...

As crianças foram encontradas sem vida dentro do carro

Bandeirantes/Itambaracá - PR - Um menino e uma menina, com idades estimadas em cinco...

Pai que jogou filho de ponte é condenado a 83 anos de prisão

São Gabriel, RS (Região de Santa Maria) – Tiago Ricardo Felber, de 41...

Leia Também

Dois adultos e duas crianças

Novo Barreiro - RS - (Região de Palmeira das Missões) - O acidente ocorreu...

Nuvem em formato de disco chama atenção

Cândido de Abreu - PR - Uma estrutura circular e em camadas apareceu no...

As crianças foram encontradas sem vida dentro do carro

Bandeirantes/Itambaracá - PR - Um menino e uma menina, com idades estimadas em cinco...