(João Lemes) “Dá para se dizer que poucas pessoas do bairro São Vicente conheciam alguém semelhante ao Nico Vielmo, o qual faleceu nesse sábado, aos 77 anos. Deixou a esposa Maria Lúcia e os filhos Christian, Lucas e Carla Cadó Vielmo, além de muitos amigos.

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O xerife do bairro São Vicente
O Nico era divertido, amigo e folclórico até; algumas vezes gostava de contar histórias. Se deixasse, ele passava uma tarde contando causos, divertindo as pessoas e fazendo amigos. Certa vez, o jornal Expresso o apelidou de xerife do bairro São Vicente. Na ocasião, alguém andou roubando um vizinho. Quem saiu, pegou o ladrão e ficou segurando até a polícia chegar foi ele. Mas, claro, cada história e cada conto se aumenta um ponto. Em se tratando do Nico, vá saber…

Recebendo Alceu Collares
Certa vez, Nico e seus amigos estavam fazendo um churrasco para receber o governador Alceu Collares, do PDT, mesmo partido do Nico. Não se sabe por que cargas d’água, houve uma rusga já na chegada do governador. Nico se calçou nos arreios, trancou o pé. Não gostou de alguma coisa e foi para casa. Ainda disse que não ia mais assar carne para ninguém. Essa história, muitos conhecem. Mas a verdade mesmo sobre o que de fato ocorreu, apenas alguns são conhecedores.
Doutora, essa é que é a justiça?
Outra história foi quando o Nico acabou indo parar na frente da juíza porque uma pessoa estava devendo em seu mercado e tinha ido embora. Em vez da juíza condenar a devedora, aplicou uma multa em Nico, mesmo que seu comércio estivesse no prejuízo. Mas ele contando era bonito de ouvir: Ele dizia que assinou tudo e depois olhou para a juíza e disse: “Mas como? Ela que deve e eu que pago? Doutora, essa é que é a justiça? Até logo!”
E a gaita? Sim, tem essa também. O Nico inventou de aprender a tocar. Comprou uma cordeona velha. Porém só conseguiu aprender umas duas notas. Mas para ele, era motivo de orgulho. Cada amigo que chegava ele mandava parar com as compras para vê-lo tocar…
Coração de manteiga
Mas era o jeito dele. Às vezes parecia que estava brigando ou destratando alguém, pois como todo bom italiano, gostava de falar alto, dar risada. Mas o Nico era muito bondoso, dono de um coração de manteiga. E quantos compraram no seu mercado, ficaram devendo… Quando voltavam, o Nico dava um jeito e a pessoa seguia freguesa. Ele nunca negava nada para ninguém.
Pedras nos rins? O Nico resolve
Quando cheguei em Santiago em 1993, fui vizinho dele e comecei a comprar no seu armazém. Certa manhã, tive uma crise renal (a única até o dia de hoje). Como eu não tinha carro, apenas uma bicicleta, quem me socorreu e me levou ao hospital foi o Nico.
“Esse João Lemes, metido a jornalista, quem salvou fui eu”, contava.

O encontro com Brizola
E nossa história não encerra por aqui. Quando o grande Leonel Brizola esteve no Itacurubi, fui de carona com Nico Vielmo para esse churrasco. A foto que eu tenho do Brizola comigo, quem tirou foi o Nico. Depois, ele gostava de se gabar para os outros: “Ele só tem uma foto com o Brizola porque eu tirei. Se eu não estou lá, ninguém tirava foto dele”, dizia orgulhoso. Era mais uma das patacoadas do Nico.
Mas por enquanto era isso. Perdemos o homem, fica a história, fica a família bem constituída, filhos maravilhosos. Só nos resta desejar que o Nico viva para sempre nas lembranças dos seus amigos, assim como já vive na minha.” Fotos: Alberto Freitas (Gonô) e reprodução Facebook.
“Mais um pouco das fantásticas histórias de Santiago se perdem no tempo”!” – Neca Silva.