Fumo; um “veneno” que traz grande rentabilidade

Essa cultura oferece diversas vantagens e desafios, tanto para os produtores quanto para as comunidades locais.

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(por João Lemes) O cultivo de fumo é uma prática agrícola importante em várias regiões do RS, como Ijuí, Santa Cruz, Sobradinho. Aqui na região se planta fumo em Jaguari, São Chico… (foto, Grupo A Hora)

O plantio de fumo é uma faca de dois gumes. Enquanto oferece vantagens econômicas imediatas para produtores e cidades, os riscos à saúde e as limitações políticas impedem uma transição fácil para práticas agrícolas mais sustentáveis e seguras.

Típica de pequenas propriedades rurais, esse produto garante a subsistência de mais de 70 mil famílias no RS e reflete a resistência de uma atividade duramente impactada pelas campanhas antitabagistas nas últimas décadas.

NA REGIÃO – Outra vantagem é que as fumageiras financiam a lavoura e, muitas vezes, compram o produto antes mesmo de ser colhido. A região do Vale do Jaguari produz grande quantidade de fumo, especialmente nas cidades de São Francisco de Assis e Jaguari. Em algumas áreas de São Francisco, há uma particularidade: o fumo produzido possui uma qualidade diferenciada em relação a outras regiões do estado, com nível de excelência que destaca o produto local.

Vantagens ao produtor e retorno de ICMS

RENDA – Em média, os produtores podem tirar uma receita bruta que varia entre 8 a 15 mil por hectare, dependendo da qualidade do fumo e das condições de mercado. No entanto, é importante considerar os custos de produção, que incluem insumos, mão de obra, e investimentos em infraestrutura, como estufas de secagem. Esses custos podem consumir 40% a 60% da receita bruta.

Vantagens econômicas: O fumo é altamente valorizado comercialmente, oferecendo uma fonte de renda estável para os agricultores. Ele é uma das poucas culturas que dão um retorno financeiro substancial em pequenos lotes de terra, permitindo que famílias menores se mantenham.

FOTOS: Abertura da colheita em Rio Pardo – deputado Zé Nunes e produtores.

Retorno de ICMS: As cidades que cultivam fumo se beneficiam muito do retorno do imposto (ICMS). Este imposto sobre as vendas de fumo contribui para a economia local, financiando serviços públicos e infraestrutura.

O cultivo do tabaco é uma importante fonte para agricultores como José Alfonso Rippel, em Venâncio Aires, que cultivou 600 mil pés e colheu 22 mil quilos na última safra, garantindo um bom retorno financeiro. Para melhorar a eficiência, Rippel investiu R$ 30 mil em uma estufa elétrica, financiada por uma empresa, o que reduziu custos e aumentou a qualidade das folhas. No entanto, o cultivo exige dedicação intensa, especialmente durante a safra, sendo essencial para a subsistência da família. (jornal Folha do Mate)

Antigamente se produzia muito fumo em rolo, o fumo “crioulo”.

Desafios e problemas de saúde

Uso de agrotóxicos: Mas não é só notícia boa: o cultivo de fumo requer o uso intenso de agrotóxicos, que são conhecidos por causar sérios problemas de saúde, incluindo câncer. Regiões como Ijuí, Santa Cruz e Sobradinho enfrentam altas taxas de doenças relacionadas à exposição a esses produtos químicos.

Impacto ambiental e saúde pública: Além de afetar diretamente a saúde dos produtores e comunidades, o uso de agrotóxicos no cultivo de fumo também apresenta riscos ambientais, contaminando o solo e os recursos hídricos locais.

Desafios na transição para culturas alimentares

Dependência Econômica: Muitos produtores de fumo são financeiramente dependentes dessa cultura devido ao seu alto retorno econômico, tornando a transição para outras culturas menos rentáveis, como alimentos, um enorme desafio.

Falta de apoio governamental: Apesar dos esforços, o governo enfrenta dificuldades em oferecer suporte suficiente para a transição de pequenas propriedades de fumo para o cultivo de alimentos. Isso se deve a vários fatores, incluindo a falta de incentivos financeiros adequados e programas de apoio técnico que ajudem os agricultores a se adaptarem a novas culturas.

Necessidade de políticas eficientes: Para possibilitar uma transição bem-sucedida, é essencial que políticas governamentais sejam implantadas para diversificar as fontes de renda dos agricultores, promovendo a sustentabilidade e segurança alimentar sem comprometer o bem-estar econômico das famílias agrícolas.

Considerações finais

O plantio de fumo é uma faca de dois gumes. Enquanto oferece vantagens econômicas imediatas para produtores e cidades, os riscos à saúde e as limitações políticas impedem uma transição fácil para práticas agrícolas mais sustentáveis e seguras. Abordar esses desafios requer um esforço coordenado entre governo, comunidades e organizações agrícolas para fomentar uma agricultura sustentável e saudável na região.

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