Santiago – Para mim, ele vai ser sempre o professor, pois é uma das pessoas mais inteligentes e dada ao debate claro e sem ofensas que conheço. Somou muito para Santiago. Por anos foi diretor da escola Thomás Fortes. Lá plantou uma semente na educação; foi vereador por três mandatos e por mais de 15 anos foi secretário de Agricultura. Raramente eu vi uma reclamação em relação ao Ademar Geraldo Canterle, o qual agora se despede do serviço público. Nessa entrevista ele abre o coração. Declara-se um sujeito “desbotado”, então, vai cuidar dos netos. Contudo, não se despede da política porque é um progressista nato, como declarou.
A semente na educação; fale da sua vida:
Relembrando a escola Thomás Fortes, onde fiquei anos na direção, naquela época, ainda eu tinha tempo para ficar no cargo, mas senti que a minha jornada estava se encerrando. Agora, nesse ciclo de 15 anos de secretário, tive trabalhos muito desafiantes porque as pessoas imaginam que tudo o que gostariam que fosse feito, o deles seria o principal, o primeiro.
O foco maior da Secretaria são as estradas. Tem estradas que passam 40 carretas por dia com 50 toneladas; outras estradas são particulares Então, por que estão arrumando lá? Não é questão de priorizá-la, mas é a questão de saber qual é a que está mais necessitada. Então, tu vai para esse lado de maior movimento e, evidentemente, não consegues fazer todos. Aí vem a reclamação, a crítica daquele morador que não foi atendido relatando que o asfalto mais ruim é o seu, o lugar pior é o seu, os outros são os outros e não me interessa.
“Graças a Deus, eu quero dizer que eu sou um progressista de carteirinha. Daqui a uns dias tem eleição e sempre que precisarem, aqui estarei.”
Quando sentiu que era hora de parar?
Num sábado de manhã, acordei – essa é uma das qualidades – Tenho um caminhão de defeitos e uma charretinha de qualidades. Sou um madrugador. Então eu disse: ‘Estou parando’. Mandei uma mensagem para o nosso prefeito Tiago, dizendo que eu estaria encerrando, mas que iria cumprir a agenda do fim de semana.

Vocês atuam no fim de semana também?
Sim. O serviço é muito árduo – e aqui vem um elogio muito grande a essas equipes do interior. Trabalharam sábado e domingo recuperando aqueles que a gente chama de “borrachudos”. É quando abre uma vertente dentro da estrada. Aquilo ali fica intransitável. Fomos para a Florida; foi tirado lá um borrachudo.
Depois, fomos lá no Paulo Furquim. Uma região muito complicada. Trabalhamos no sábado, domingo, o tempo todo. A gente vai lá para dar força, para se solidarizar com aquelas pessoas que estão trabalhando em pleno domingo à tarde.
O que vai fazer agora?
Com meus quase 75 anos, já estou desbotado. Então, vou cuidar dos meus netos. Tenho quatro netos maravilhosos. Não que eles dependam de mim, mas sabe como é… A dona Neiva corria sozinha. A partir de agora, eu quero conjunto. Vou fazer algumas coisas que eu gosto, até porque chega um ponto que tu tens que tirar o pé do acelerador. E foi isso que eu fiz.
E o que fica de tudo isso?
Graças a Deus, deixei um relacionamento bom. Em determinados momentos, tivemos conversas mais sérias por pontos de vista divergentes. Mas um ponto de vista divergente é o que leva às grandes aprendizagens, porque, quando tu tens a razão, tu sais fortalecido. Mas quando a tua ideia, o teu debate se esvazia, tu aprendes muito com o outro lado. Essa era uma tônica que tu tinhas no tempo de vereador. Nós tínhamos debates pesados, mas sem ofensas.
Estou com saúde. Claro, há umas coisinhas, mas é coisa de velho. A velhice não vem sozinha. Sou safenado, diabético… Se eu começar a pensar nisso, eu vou morrer antes. Então, eu vou parar por aqui. O barco um dia vai afundar, mas tomara que demore muito tempo ainda para isso acontecer.
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