Prenda é alvo de ataques ao ser confundida com uma candidata trans

Muitos não checaram a identidade da jovem e nem o CTG

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São Luiz Gonzaga – RS – (Região das Missões) – Amanda Berro Burin, primeira prenda do CTG Galpão de Estância, virou alvo de ataques nas redes em meio à polêmica envolvendo a participação de uma candidata trans em um concurso tradicionalista no RS. O problema é que Amanda não tem qualquer ligação com o caso. Ela disputa o concurso de prendas da 3ª Região Tradicionalista e acabou sendo confundida por internautas com Bruna Pradella Machado, representante CTG Quero-Quero, de São Jerônimo, e que vai disputar concurso de prenda sem General Câmara (região de Santa Cruz).

O erro gerou onda de ofensas

A repercussão começou depois que o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) confirmou que Bruna Pradella Machado está apta a disputar o concurso regional de prendas em General Câmara. A decisão dividiu opiniões e provocou intenso debate nas redes sociais. No entanto, parte dos internautas passou a atacar a publicação do CTG Galpão de Estância (São Luiz) direcionando ofensas à prenda Amanda por engano.

Repercussão negativa

Além da repercussão negativa, a situação ocorreu justamente durante o período em que Amanda participa do concurso regional. O caso levanta preocupação com o impacto emocional sobre a jovem, que precisa manter a concentração em uma etapa importante da disputa enquanto enfrenta comentários ofensivos de pessoas que sequer verificaram a informação antes de publicar.

O CTG vai à Justiça

O CTG Galpão de Estância afirmou que os comentários causaram danos à imagem da prenda e pediu a remoção das publicações ofensivas. A família informou que vai registrar ocorrência e o procurador jurídico da região, César Ribas, pretende ingressar com ações judiciais contra os autores dos ataques.

O CTG Galpão de Estância e a família de Amanda Berro Burin vêm a público repudiar os ataques, ofensas e informações falsas que circulam nas redes sociais envolvendo nossa prenda. Amanda Berro Burin não é pessoa transgênero. Ela é adolescente, menor de idade, e representa com orgulho o CTG Galpão de Estância como 1ª Prenda Juvenil do CTG Galpão de Estância da Terceira Região Tradicionalista. A confusão propagada nas redes é completamente falsa e está causando danos irreparáveis à imagem e à dignidade de uma criança. Esclarecemos que o CTG Galpão de Estância não possui qualquer preconceito em relação a ninguém, porém não possui prenda transgênero em seu quadro. Solicitamos a remoção imediata de todas as publicações que utilizem indevidamente o nome ou a imagem de Amanda. Os responsáveis pelas ofensas e pela propagação de informações falsas estarão sujeitos às medidas judiciais cabíveis. Respeito, responsabilidade e verdade também fazem parte da tradição que defendemos.CTG Galpão de Estância e
Família Berro Burin

“Uma onda de comentários ofensivos tem atingido Amanda Berro Burin, primeira prenda do CTG Galpão de Estância, de São Luiz Gonzaga; alguns usuários escreveram frases como: “Esse CTG não sabe a diferença de uma mulher e um travesti?”, “Chamem um urologista urgente…” Imaginem, tudo isso durante em concurso em que ela precisa se concentrar e dar tudo de sí. Como estará o psicológico da menina?

Os comentários que beiram a loucura revelam não apenas a falta de informação de quem os publicou, mas também a facilidade com que pessoas são expostas e atacadas nas redes sociais sem qualquer preocupação em verificar os fatos. Independentemente das opiniões sobre a participação de uma mulher trans em concursos tradicionalistas, direcionar ofensas a uma pessoa completamente alheia aos fatos demonstra um comportamento incompatível com o respeito que deve nortear qualquer debate. Onde vamos parar?” (Giovani Grizotti)

O QUE DIZ O PATRÃO
São Jerônimo – O patrão do CTG Quero-Quero, Marcelo Pagini, afirma que a entidade recebeu a candidatura com naturalidade. “Encaro isso de forma muito tranquila. Quando a Bruna foi aceita como prenda do CTG, houve um burburinho inicial. Algumas pessoas questionaram, principalmente as mais antigas, mas chamei todos para conversar e expliquei que precisamos respeitar as pessoas. Essa é uma questão dela, não nossa. Cabe a nós respeitar”, afirma.
O patrão também acredita que a participação da candidata ajuda a combater preconceitos ainda presentes na sociedade. “Respeito cada um. Cada pessoa faz o que entende ser melhor para a sua vida. Não compete a mim julgar ninguém. Muitas vezes as pessoas exigem respeito, mas não respeitam o próximo. Isso é algo que precisamos mudar”, diz.

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