Síndrome de burnout afeta um terço dos professores da educação básica, aponta estudo

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Vanessa volta a dar suas aulas, após se ausentar por um tempo Foto: Taba Benedicto/Estadão

Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que cerca de um terço dos professores da educação básica no Brasil sofrem da síndrome de burnout. O estresse no exercício da docência é causado por diversos fatores, como salários defasados, violência nas escolas e pressão por resultados.

A pesquisa envolveu 397 professores de escolas públicas e privadas de diferentes estados do país. Os resultados mostraram que os professores lidam não apenas com os desafios da regência e da burocracia, mas também com a violência física e verbal nas escolas, falta de estrutura, pressão da gestão escolar e exigência dos pais.

O estudo utilizou três questionários para avaliar a prevalência do burnout e a satisfação no trabalho dos professores. Os resultados indicaram que 32,75% dos participantes apresentaram sinais de burnout. Não houve diferença significativa na prevalência entre homens e mulheres, mas fatores como salário e maternidade afetaram os grupos de maneiras distintas. Mulheres com salários mais altos e mães tiveram maior propensão ao esgotamento.

Uma das descobertas surpreendentes foi a maior satisfação no trabalho entre os professores da rede pública em comparação com os profissionais das escolas particulares. Isso pode estar relacionado ao fato de que os professores da rede pública veem sua função como um propósito e uma oportunidade de promover mudanças, enquanto os professores da rede privada enfrentam uma pressão maior dos pais, devido ao pagamento das mensalidades escolares.

O burnout é caracterizado pelo esgotamento físico e mental, sintomas como cansaço excessivo, dor de cabeça frequente, alterações no apetite e problemas gastrointestinais, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança, entre outros. O tratamento do burnout envolve acompanhamento psicológico e psiquiátrico, e muitas vezes requer afastamento do ambiente escolar por um período.

Para lidar com o problema, é importante fornecer suporte adequado aos professores, tanto em termos de reconhecimento quanto de estrutura para desempenhar suas funções. Além disso, uma possível solução é a realocação do professor para outra função ou instituição, se necessário. O tratamento psicoterapêutico também pode ajudar a melhorar a forma como o professor lida com o estresse.

As Secretarias Municipal e Estadual de Educação de São Paulo destacaram que existem medidas em vigor para apoiar os professores, como o acesso a unidades de saúde, comissões de mediação de conflitos, programas de melhoria da convivência escolar e proteção, e contratação de profissionais de apoio nas escolas. Além disso, estão sendo oferecidos cursos de capacitação e cuidados com a saúde mental dos professores.

Fonte: Estadão

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