Estado – RS – (por João Lemes) O jornalista Leandro Staudt, de Zero Hora, fez uma bonita matéria sobre as trilhadeiras e a mudança que elas trouxeram para as lavouras gaúchas. Para quem foi guri da campanha, como eu, a leitura também traz uma grande recordação: os mutirões dos pequenos agricultores.
A lida em grupo
A trilhadeira custava caro. Quando um agricultor comprava uma máquina, ou quando ela era adquirida em grupo, os vizinhos se juntavam. Todos ajudavam na colheita de soja, trigo, arroz ou o que estivesse na lavoura. Trabalhavam uma noite, duas noites, em uma propriedade; depois seguiam para outra. E ninguém enjeitava serviço.

Antes da máquina, a colheita era feita à foicinha. Era uma lida pesada, mas também era tempo de união. Lá para fora, como se dizia, cada um sabia que chegaria sua vez. Quem ajudava hoje recebia ajuda amanhã.
A mudança no campo
As trilhadeiras separavam o grão da palha e abriram caminho para a mecanização. Em 1906, a Granja Progresso, às margens do Rio Gravataí, já usava duas máquinas vindas dos Estados Unidos para a colheita de arroz. Cada uma fazia 1,5 hectare por dia, em jornada de 10 horas.

Depois, os feixes chegavam por vagonetes até uma trilhadeira norte-americana movida por motor a vapor alemão, alimentado com palha de arroz. A máquina processava 15 mil quilos por dia. Em Caxias do Sul, a fábrica de Evaristo de Antoni também produziu as trilhadeiras EDA.
A memória que fica
Hoje, o Memorial da Evolução Agrícola, em Horizontina, ajuda a contar essa história. A máquina revolucionou o campo, mas não pode apagar a lembrança daqueles mutirões. O campo avançou porque houve tecnologia, mas também porque havia gente disposta a arregaçar as mangas e ajudar o vizinho. (Redação, João Lemes. Fonte: GZH/Aconteceu no RS)

Matéria do jornalista Leandro Staudt AQUI
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