Redentora – RS – A guerra lá do outro lado do mundo, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, começou a cobrar a conta aqui no quintal dos gaúchos. O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo do planeta, virou um nó na garganta da nossa economia. Segundo a Fiergs, mais de 85% de tudo que o RS vende para o Oriente Médio depende daquela passagem, o que pode fazer murchar um faturamento de mais de 1 bilhão de dólares.
Frango e café na linha de frente
O setor mais castigado é o da proteína animal. O Oriente Médio compra mais de um terço de todo o frango produzido no RS, um negócio de 461 milhões de dólares. Se os navios não passarem por causa dos ataques e da insegurança, o produto fica parado e o prejuízo sobra para o produtor. O café gaúcho também está na corda bamba, já que 62% das exportações do setor vão direto para aquela região.
Fertilizantes mais caros
Se para vender está difícil, para produzir ficou pior. O RS traz do Oriente Médio quase 40% das matérias-primas usadas nos fertilizantes. Sem esses insumos chegando a um preço justo, o custo para plantar trigo, soja e milho vai disparar. O economista Giovani Baggio alerta que o impacto deve aparecer primeiro nas culturas de inverno, que estão em fase de planejamento, deixando o agricultor — que já sofre com dívidas e clima — ainda mais acuado.
Sem saída fácil no curto prazo
Não adianta achar que dá para mandar o navio por outro caminho ou vender para outro vizinho do dia para a noite. As rotas alternativas são caras e não dão conta do recado. Além disso, produtos como o frango seguem o abate “halal” (preceitos religiosos), o que impede de empurrar a mercadoria para qualquer outro mercado sem adaptação. Se a crise continuar, o reflexo vai bater direto na gôndola do supermercado e no bolso de quem vive do campo.
Redação, João Lemes; Fonte: Correio do Povo / Fiergs 🚜
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