Porto Alegre, RS – Tiago Schmitz, o nome por trás da doceria Charlie Brownie, resolveu botar a boca no trombone e falar o que muito pequeno empresário sente, mas tem medo de dizer. O que começou com um discurso em uma premiação virou um grupo de apoio com 150 empreendedores da Capital que se reúnem para “chorar junto” e compartilhar os bastidores nada doces de manter as portas abertas. (Giane Guerra – GZH)
O medo da fiscalização
O empresário contou que sente uma diferença enorme entre empreender em Santa Catarina e aqui no estado. Segundo ele, parece que o Estado coloca o dono de negócio contra a população, como se todo mundo fosse explorador. Tiago relata que tem medo de buscar os órgãos públicos para tirar dúvidas fiscais ou trabalhistas e acabar sofrendo retaliação ou sendo recebido com animosidade, especialmente pela vigilância sanitária.
O peso de ser patrão
Para ele, a transição do CPF para o CNPJ muda tudo: o que antes era aplaudido quando ele fazia brownie em casa, agora é motivo de questionamento por vizinhos e pelo próprio governo. Com 55 funcionários na folha, ele explica que não “joga tudo para cima” porque o custo para fechar a empresa passaria dos 2,5 milhões de reais entre contas trabalhistas e quebra de contratos, dinheiro que a maioria dos pequenos nem sonha em ter em caixa.
Luta pela saúde e pelo negócio
Além da batalha diária com a burocracia, Tiago agora enfrenta um desafio ainda maior: um câncer no intestino descoberto recentemente. Ele conta que o susto de ficar entre a vida e a m0rt3 tirou seu medo de se expor e de falar a verdade sobre o que pensa. Hoje, ele foca em manter suas três operações em Porto Alegre e Floripa de forma mais enxuta, tentando garantir segurança para si e para quem trabalha com ele.
Fonte: GZH e Podcast Nossa Economia.
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