Estado – RS/ Encantado – O Vale do Taquari está se transformando em um canteiro de obras de proporções bíblicas, mas a pergunta que fica: será que isso ainda é fé ou virou apenas um grande balcão de negócios? O sucesso do Cristo Protetor de Encantado abriu a porteira para uma competição de gigantes. Agora, cada cidade quer ter o seu monumento para chamar de “maior do mundo”, transformando símbolos sagrados em iscas para turistas e cifras altas para o comércio local.
Competição de gigantes no asfalto
A lista de projetos impressiona pelo tamanho e pelo custo. Em Estrela, planejam a maior Bíblia do mundo com 40 metros de altura, orçada em quase 74 milhões de reais. Em Muçum, o plano é um rosário gigante de 30 milhões; em Roca Sales, uma réplica da Arca de Noé; e em Sério, um São José de 45 metros que terá até tirolesa. É uma corrida para ver quem constrói o monumento mais imponente, como se a espiritualidade precisasse de concreto e altura para ser validada ou, melhor dizendo, para ser vendida.
Onde fica a simplicidade da manjedoura?
Para quem professa a fé, vale o exercício de lembrar que Cristo nasceu em uma estrebaria, cercado de humildade e longe de qualquer ostentação. Hoje, o que vemos é o oposto: uma disputa para ver quem bate o Rio ou outras partes do mundo no tamanho das estátuas. É claro que o turismo gera empregos e ajuda na reconstrução da região após a enchente, mas é preciso cuidado para não transformar a religião em um parque de diversões temático. Como diz o ditado, “muito ajuda quem não atrapalha”, e no caso da fé, às vezes o menos é muito mais do que doze andares de cimento.


Redação, João Lemes; Fonte: GZH e Amturvales ⛪
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