Porto Alegre – RS – João Batista Fernandes, de 68 anos, viveu um pesadelo que durou meses após ser preso injustamente. O técnico de enfermagem aposentado foi levado da própria casa, em Portão, durante a Operação Truck Hunters, que mirava uma quadrilha especializada em furto de caminhões. Mesmo sob protestos da família, o morador foi colocado atrás das grades, onde enfrentou a dura realidade do sistema prisional e o trauma de ser tratado como um criminoso sem nunca ter cometido delito algum.
O erro que custou a liberdade
A investigação da polícia apontou o nome de João a partir de uma foto de sua CNH, que havia sido entregue em um CFC para renovação e acabou nas mãos de bandidos. Os criminosos usaram o documento para alugar um depósito, ligando o nome do aposentado ao esquema ilícito. Após 66 dias de angústia — divididos entre a cadeia pública e o período em prisão domiciliar com tornozeleira —, a defesa conseguiu provar o erro de identificação. O Ministério Público reconheceu a falha e o juiz Ricardo Petry Andrade finalmente arquivou o inquérito.
Uma cicatriz que não se apaga
Livre da acusação, João tenta reconstruir a vida, mas carrega marcas profundas da humilhação que sofreu. O aposentado ainda faz tratamento psicológico para superar o choque da prisão e o estigma da denúncia. “Passei muita humilhação na cadeia”, desabafa. Enquanto o processo segue contra os verdadeiros culpados, o caso do morador de Portão serve de alerta sobre os danos irreversíveis que erros na identificação podem causar na vida de um cidadão de bem.
Redação, João Lemes; Fonte: GZH ⚖️
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