Estado – RS – É dessa forma que o dinheiro de quem paga imposto acaba: indo literalmente para o lixo. O Ministério Público deflagrou a Operação Reciclagem nesta quinta-feira (25) para desmantelar uma quadrilha especializada em fraudar contratos de coleta e destinação de resíduos em 15 municípios gaúchos. O promotor Mauro Rockenbach comanda a investigação contra um grupo que usava uma rede de empresas, comandada por uma mesma família, para simular concorrência e desviar valores que deveriam garantir a limpeza das ruas.
O esquema funcionava como uma engrenagem bem azeitada. O grupo forjava situações de emergência para pular etapas de licitação, apresentava propostas falsas para garantir a vitória de empresas do próprio clã e, na hora de receber, cobrava por serviços que não existiam ou pesava duas vezes o mesmo caminhão para inflar o faturamento. Entre as cidade estão Rosário do Sul, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Torres e Bom Jesus. A polícia cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em oito municípios, incluindo Porto Alegre.
O núcleo criminoso contava com uma divisão de tarefas clara, que ia desde o empresário líder — o cabeça da tramoia — até laranjas e uma ex-agente pública que ajudava a direcionar os contratos. Agora, os envolvidos vão ter que explicar para a Justiça como montaram esse império baseado na mentira. Além de fraudar as licitações, a investigação aponta crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e corrupção. A proibição de contratar com o poder público já foi decretada para os envolvidos, enquanto o Ministério Público segue calculando o tamanho do prejuízo deixado aos cofres municipais.
Redação, João Lemes; Fonte: Ministério Público (MPRS)
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