Estado – RS – (João Lemes) Prender criminosos custa caro. Investigar custa caro. Julgar custa caro. Manter preso custa caro. A sociedade paga essa conta acreditando que, depois de todo esse processo, o condenado estará isolado e impedido de continuar cometendo crimes.
A operação na Penitenciária do Jacuí escancara uma verdade: Foram mobilizados 400 agentes para fiscalizar quem já está preso. Sim, 400 agentes para cuidar de quem deveria estar apenas cumprindo pena.
Os números impressionam. Em pouco mais de um ano foram apreendidos 646 celulares, 758 chips e mais de 12 quilos de drogas dentro da unidade. Isso sem contar o que não foi encontrado. E a pergunta é inevitável: como tudo isso entra?
Enquanto a polícia está nas ruas combatendo o crime, outra parte do efetivo precisa vigiar quem já foi preso. É um sistema que se retroalimenta. A polícia prende. A Justiça condena. O criminoso vai para a cadeia. Depois o Estado precisa montar novas operações para impedir que ele continue comandando crimes de dentro da prisão.
A situação chega ao absurdo: celulares, drogas, bebidas, festas, churrascos e até pedidos de picanha feitos de dentro dos presídios.
A prisão deveria ser o ponto final da ação criminosa. Mas, em muitos casos, virou apenas uma mudança de endereço. O sujeito entra na cadeia e continua dando ordens, movimentando dinheiro, organizando tráfico e determinando ataques nas ruas.
Não se trata de culpar policiais, promotores, juízes ou agentes penitenciários. Muitos trabalham diariamente para tentar controlar uma estrutura que há muito tempo demonstra sinais de esgotamento. O problema é mais profundo. É um modelo que exige cada vez mais recursos para produzir cada vez menos resultados.
Quando 400 agentes precisam ser mobilizados para controlar quem já está preso, fica evidente que algo está errado. Muito errado. O sistema penitenciário brasileiro, infelizmente, continua enxugando gelo.




João Lemes
Fonte: Editorial do NP Expresso com base em dados do MPRS.
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