OPINIÃO NP – Vamos cutucar a ferida? “ou isso é coisa de mulherzinha”?

Álcool e arma: mistura explosiva

Publicado em

Segundo dados nacionais recentes, o Brasil registra mais de mil feminicídios por ano. No RS, os números seguem altos. E cada número tem nome, tem rosto, tem família destruída.

O povo gaúcho está ferido. Está sangrando com a violência crescente contra as mulheres. Os casos de feminicídio aumentam. Sem contar quantas são salvas pela tornozeleira e pela ação rápida da polícia. Tem que seguir denunciando. Tem que seguir mostrando.

As cadeias estão entupidas. As penas são altas. 40, 50, 60 anos. A lei é dura. A polícia prende. A Justiça condena. E mesmo assim continua. Porque o marido, o namorado, o ex, não olha o Código Penal antes de cometer o crime. Isso é fato. Não adianta ir para rede social pedir pena de morte ou prisão perpétua. Não resolve. Se resolvesse, já teria resolvido.

Onde começou?

Isso começou lá atrás. Na infância. Quando o pai chegou em casa e gritou com a mãe. Quando disse pro filho; “se apanhar na rua, apanha em casa também”. Quando ensinou que homem não chora. Quando disse “isso é coisa de mulherzinha”. Quando repetiu que queria o filho “macho”. Quando proibiu a filha de sair. Quando disse que mulher não pode usar tal roupa. Quando disse que mulher em bar é feio. Quando ensinou que mulher tem que ser submissa.

Começou quando o marido proibiu. Quando controlou. Quando humilhou. Quando ouviu que mulher tem que estar em casa e homem é da rua. Começou no machismo que está dentro de nós. Sim, dentro de nós homens. Se não inverter essa régua, se não virar a chave, vai continuar.

Álcool e arma: mistura explosiva:
Grande parte das ocorrências tem hora e data para começar

Convém dizer também: a arma facilita. “Ah, mas faca também mata.” Mata. Mas o tiro é mais rápido. É mais letal. Está nos números. E tem outro fator que ninguém gosta de falar: álcool. A pior das drogas, mas socialmente aceita. O álcool destrói o cérebro, destrói famílias e tira o freio. Grande parte das ocorrências de Maria da Penha acontece no fim de semana. Sexta à noite começa. Vai até segunda de madrugada. A própria Brigada e a Polícia Civil confirmam esse padrão. No verão, piora. Porque saem mais. Bebem mais.

Não é só cadeia. Não é só lei mais dura. A lei já é forte. É trabalhar nossas crianças. Ensinar paz. Ensinar respeito. Ensinar que mulher não pertence a ninguém. Ensinar que todo homem nasceu de uma mulher. Que ela precisa ser respeitada. E que respeito não é favor. É obrigação.


Ou nós mudamos. Ou continuaremos contando mortes. Redação, João Lemes. Fonte: dados públicos e estatísticas oficiais

Acompanhe o NP pelas redes sociais:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

184.758

131,929FãsCurtir
71,577SeguidoresSeguir

Notícias Recentes

Por onde anda o Cidade Ativa?

Santiago, RS – O cronograma de atendimento começou pelo bairro Alto da Boa Vista,...

Jogadores de Câmbio de Santiago participam de Carnaval Solidário

Santiago, RS - Os jogadores de Câmbio de Santiago mostraram que o espírito esportivo...

Venda de carros com mais de 13 anos dispara no RS

Quase metade dos veículos seminovos e usados vendidos no RS em janeiro pertence à...

Pai morre ao salvar filho de afogamento no litoral catarinense

JAGUARUNA – SC – Um ato de heroísmo terminou em tragédia no Balneário Copa...

Leia Também

Manoel Viana capacita merendeiras para o início do ano letivo

Manoel Viana, RS - A secretaria de Educação promoveu, na última semana, uma capacitação...

tragédia familiar em rio pardo

RIO PARDO – RS – Uma tragédia familiar chocou o Bairro São Jorge na...

Rosário Folia atrai multidão

ROSÁRIO DO SUL – RS – O Carnaval de Rosário do Sul reafirmou sua...