Às margens da BR 287, ergue-se um empreendimento inovador e promissor: a CB Bioenergia, a primeira usina de etanol de trigo do Brasil. O complexo pertence à família Bonotto e o investimento é de R$ 100 milhões. A fábrica (usina) representa um marco para a região, gerando empregos e impulsionando a economia regional. À frente desse projeto visionário está o diretor Tiago Gorski Lacerda, ex-prefeito de Santiago, administrador e professor, que concedeu uma entrevista ao NP, detalhando os desafios, as oportunidades e o impacto da CB Bioenergia para o município, na região, RS e no país.
Quando a CB Bioenergia iniciará suas atividades e quais produtos serão produzidos e a capacidade de produção?
Tiago – A previsão é que inicie no primeiro semestre de 2025. Nós não retardamos o início dos trabalhos; apenas fizemos uma adaptação no projeto, que estava prevista para iniciar em dezembro de 2024. A capacidade de produção será de 40 mil litros de álcool por dia, com o processamento de 100 toneladas de matéria-prima também nessas 24 horas.

Produzirá desde álcool hidratado, álcool gel, álcool 70 e até gás para água mineral e refrigerantes
Tiago – Inicialmente, a usina produziria apenas álcool hidratado (para uso em combustível) e DDGs (farelo para nutrição animal). Posteriormente, adaptando-se às oportunidades de mercado, a empresa produzirá também álcool neutro (para bebidas e cosméticos), álcool gel, álcool 70 (para outros fins) e CO2 (gás para água mineral, refrigerantes e para soldas). E continuará produzindo o farelo para nutrição animal, com alto teor de proteína, em torno de 30 mil quilos por dia.

A CB utilizará apenas trigo como matéria-prima?
Tiago – Não. A tecnologia utilizada na usina permite o processamento de todos os cereais amiláceos (com amido fermentável), como sorgo, milho, trigo, arroz, triticale e cevada. Isso garante maior flexibilidade e segurança para a comercialização da safra, principalmente no inverno.
A produção de etanol de trigo pode comprometer a produção de alimentos?
Tiago – Não. O cereal que será utilizado é de baixa qualidade, que não serve para a alimentação humana. Muitas vezes, esse cereal é exportado para outros países para ser transformado em ração animal.

Quantos empregos a CB já gerou e quantos ainda serão gerados?
Tiago – Mesmo antes de iniciar as atividades, a CB já rendeu 60 empregos diretos, principalmente com empresas de Santiago e de fora, que estão realizando a montagem e a parte de estrutura civil da usina. A expectativa é gerar mais 60 empregos diretos e 50 indiretos, quando a usina estiver a todo vapor. Um exemplo, será a refeição dos colaboradores, que será feita por um restaurante de Santiago, fora o transporte e toda gama de prestadores de serviço que acabam se envolvendo também.

Fale do impacto econômico na região, além do retorno de ICMS pelo valor agregado à matéria-prima:
Tiago – O impacto é significativo. Além da geração de empregos diretos e indiretos, a usina movimentará a economia local através da compra de matéria-prima de agricultores da região. Também esperamos fomentar o desenvolvimento de novos negócios relacionados à nossa cadeia produtiva, como fornecedores de insumos, transportadoras e empresas de logística. Acreditamos que a CB Bioenergia será um motor para o crescimento econômico e social de Santiago e região.

Abertura de parceria para gerar mão de obra qualificada
A priorização da mão de obra local e regional para a operação da usina é um fator positivo. A formação de jovens em áreas como engenharia mecânica, civil e química é essencial para garantir a operação e manutenção adequadas da usina a longo prazo. Parcerias com instituições de ensino (como a URI), municípios e programas de treinamento específicos podem ser estratégias importantes para suprir essa demanda especializada. A atração e retenção desses profissionais também dependem de fatores como salários competitivos, boas condições de trabalho e qualidade de vida na região.

A produção de etanol a partir do trigo apresenta desafios técnicos específicos
Um deles é a necessidade de um processo eficiente de hidrólise do amido do trigo em açúcares fermentáveis. Diferentes métodos, como a hidrólise enzimática ou ácida, têm suas vantagens e desvantagens em termos de custo, rendimento e impacto ambiental. A escolha da tecnologia mais adequada depende de fatores como a disponibilidade de matéria-prima, a escala de produção e a infraestrutura local. Outro desafio é a otimização da fermentação para maximizar a produção de etanol e minimizar a formação de subprodutos indesejáveis.

A água empregada no processo será tratada e reutilizada
A tecnologia de circuito fechado, mencionada como uma característica da usina, é crucial para a sustentabilidade da produção de etanol. Este sistema permite que a água utilizada no processo seja tratada e reutilizada, minimizando o consumo de água e o impacto ambiental. Também haverá a queima da casca de arroz, um subproduto da indústria do arroz, para gerar energia na usina; isso contribui para a redução da dependência de combustíveis fósseis e para o aproveitamento de resíduos. Para isso, a usina já recebeu e está em tratativas com o maior beneficiador de arroz do RS, que é o são-borjense Celso Rigo.
Uma empresa politicamente correta
Temos um rigoroso sistema de gestão ambiental que monitora todos os processos e garante o cumprimento das normas ambientais. Também investimos em projetos sociais e ambientais na comunidade, como programas de educação ambiental e reflorestamento. Acreditamos que é possível gerar desenvolvimento econômico sem comprometer o meio ambiente.

Mais investimentos
A CB Bioenergia nem inaugurou e já anunciou os planos de expansão do projeto a partir de 2027, com outros 300 milhões investidos. A projeção é saltar dos 13 milhões de litros de álcool anuais para até 50 milhões.
PRODUTOS PRODUZIDOS: Etanol de Trigo, Cosméticos e Beleza. Álcool Neutro e Derivados, Rações e Insumos, Outros Biocombustíveis, Subprodutos de Alto Valor Agregado
Serviços Oferecidos
Além de produtos, oferecemos soluções estratégicas para nossos clientes: Consultoria Agrícola e Industrial: Apoio técnico para maximizar a eficiência na produção e uso de biocombustíveis e subprodutos. Parcerias Estratégicas: Desenvolvimento conjunto com empresas do setor para inovação e crescimento.
Soluções Personalizadas: Produtos e serviços adaptados às necessidades específicas de cada cliente.








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