Alegrete – RS – (Região da Fronteira Oeste) – A Justiça de Alegrete vai reviver um dos crimes mais chocantes da história recente da cidade. Na próxima quinta-feira (26), senta-se novamente no banco dos réus Itaguassu Borges Pinheiro, o “Ita”, denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pela morte de Schana Pianesso. O crime, ocorrido em julho de 2008, volta a julgamento após a anulação de um júri anterior, realizado em 2011, por questões formais do processo.
O crime e a motivação
Schana desapareceu no dia 14 de julho de 2008, após sair de casa para se encontrar com o acusado. Na época, Ita era casado e mantinha um relacionamento extraconjugal com a vítima, que estava grávida dele — fato comprovado por exames de DNA. Segundo a denúncia, o réu pressionava Schana para que ela interrompesse a gestação. Diante da recusa da mulher, ele teria cometido o assassinato mediante espancamento, causando fraturas brutais no crânio e na mandíbula da vítima.
O achado do corpo
O desfecho do desaparecimento veio meses depois, quando o corpo de Schana foi localizado em uma área de matagal às margens da BR-290. Os restos mortais estavam em avançado estado de decomposição, junto ao feto que ela carregava. Embora o réu também tenha sido denunciado por ocultação de cadáver, esse crime específico já prescreveu devido ao longo tempo transcorrido. Agora, o foco da acusação está no homicídio qualificado e no aborto provocado sem o consentimento da gestante.
A tese da acusação
A promotora de Justiça Rochelle Jelinek sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe — a recusa da vítima em abortar — e com recurso que dificultou a defesa, já que Schana confiava no agressor pelo vínculo afetivo que mantinham. Para o Ministério Público, este julgamento é emblemático, especialmente em um momento de alta nos casos de feminicídio no Estado. “A expectativa é de uma nova condenação para mostrar que crimes bárbaros como esse não podem ficar impunes”, afirmou a promotora.
A espera por justiça
Dezoito anos depois, a família de Schana e a comunidade de Alegrete aguardam uma resposta definitiva do Tribunal do Júri. O caso permanece vivo na memória coletiva da Fronteira Oeste pela crueldade dos detalhes e pela longa batalha judicial que se arrastou por quase duas décadas. A sessão de quinta-feira deve atrair grande atenção, representando não apenas o fechamento de uma ferida aberta, mas um recado claro da Justiça contra a violência doméstica e o desprezo pela vida.
Redação, João Lemes; Fonte: Jornal Em Questão / MPRS
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