A força da direita: Flávio larga na frente

O voto útil, a adesão de jovens e a consolidação de alianças ajudam a explicar o resultado do primeiro turno

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Nacional – A disputa presidencial entra em uma nova fase depois de Flávio Bolsonaro, do PL, terminar o primeiro turno à frente de Lula, do PT. A votação surpreendeu porque a maioria das pesquisas previa segundo turno, mas apontava vantagem para o atual presidente. Agora, os dois terão até o dia 25 para ampliar apoios e enfrentar pontos de desgaste das próprias campanhas.

O voto útil e as pesquisas
Especialistas ouvidos por GZH avaliam que parte dos eleitores ainda classificados como indecisos nas pesquisas já havia escolhido um candidato, mas não revelava o voto. Na reta final, muitos desses eleitores teriam optado por Flávio, ajudando a explicar a diferença em relação às projeções.

Outra parcela da direita também deixou candidaturas apresentadas como terceira via para concentrar votos no candidato do PL. Para o sociólogo Rodrigo Prando, o resultado colocou Flávio como favorito, mas a definição dependerá da campanha até o segundo turno.

Os jovens e os empreendedores
A votação de Flávio também é atribuída à adesão de jovens e de microempreendedores. O cientista político Fernando Schüler avalia que parte desse público se afastou da linguagem tradicional da esquerda e se identificou mais com discursos de mérito, trabalho autônomo e mudança.

O Brasil tem mais de 15 milhões de microempreendedores individuais, os MEIs. Para os analistas, esse grupo está ligado à economia digital e a novas formas de trabalho, com menor identificação com o modelo sindical que marcou a origem do PT.

O avanço da direita
A vitória parcial de Flávio ocorreu junto com o crescimento de candidaturas de direita em Estados e no Congresso. O PL ampliou sua bancada no Senado e na Câmara, enquanto aliados do campo conservador venceram disputas para governos estaduais.

O cientista político Leonardo Avritzer apontou reversões importantes, como o resultado no Rio de Janeiro e a vitória do bolsonarismo no RS já no primeiro turno. Segundo ele, o cenário mostra uma movimentação do eleitorado brasileiro para a direita.

A base parlamentar
Flávio chega ao segundo turno com a perspectiva de apoio de boa parte dos governadores eleitos e de uma bancada forte no Congresso. O PL elegeu 29 senadores e ao menos 121 deputados federais, conforme os números citados pela reportagem.

Essa força pode facilitar a articulação de um eventual governo, mas exigirá diálogo com partidos do centrão. O resultado também poderá influenciar debates sobre o Supremo Tribunal Federal, inclusive futuras indicações de ministros.

A herança do bolsonarismo
Flávio herdou o sobrenome e a base política formada por Jair Bolsonaro. Seus adversários classificam esse campo como extrema direita, enquanto seus apoiadores se identificam com pautas ligadas a Deus, família, propriedade e conservadorismo.

Jair Bolsonaro foi eleito presidente em 2018 e, conforme a reportagem, está preso após condenação por tentativa de golpe de Estado. Flávio tenta se apresentar como um nome menos estridente que o pai, mas defende uma anistia para Jair e para outros condenados pelos atos golpistas.

Os problemas de Lula
Lula enfrenta dificuldades para ampliar sua base. Além do resultado abaixo do esperado, o PT é pressionado pela falta de novas lideranças nacionais e pela dificuldade de dialogar com parte dos jovens e dos empreendedores.

A reportagem também cita o desgaste provocado pelas investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As apurações tratam de suspeitas de tráfico de influência e corrupção, ainda sem relação direta apontada entre Lula e os fatos investigados.

Outro tema explorado pela oposição envolve Alexandre de Moraes e o Banco Master. Segundo a reportagem, o ministro é alvo de acusações divulgadas por bolsonaristas e o caso é investigado pela Polícia Federal. Lula não é investigado nesse episódio, mas adversários tentam associá-lo a Moraes nas redes sociais.

A experiência e o desgaste
Aos 80 anos, Lula disputa sua sétima eleição presidencial. A experiência é vista como um ponto forte, mas analistas citam o cansaço físico, a voz rouca e uma presença menor nas redes sociais como dificuldades para a campanha.

O presidente já enfrentou derrotas antes de vencer pela primeira vez em 2002. Também ficou preso por 580 dias após condenação na Lava-Jato. Em 2021, o Supremo anulou os processos criminais, restaurou seus direitos políticos e abriu caminho para a vitória de 2022.

Os riscos para Flávio
Flávio também terá problemas para enfrentar no segundo turno. Ele é investigado pelo Supremo por suspeitas envolvendo lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ligadas ao financiamento do filme Dark Horse, conforme a reportagem.

A Polícia Federal investiga a relação entre o candidato, o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento da produção. Flávio negou inicialmente proximidade com Vorcaro, mas a reportagem cita telefonemas vazados nos quais os dois tratariam de recursos para o filme. As suspeitas ainda não tiveram julgamento.

O peso da economia e das redes
Novas revelações sobre o caso Master podem afetar Flávio. Ele também terá de lidar com uma notícia falsa sobre uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e com o desgaste provocado pelo tarifaço imposto por Donald Trump às exportações brasileiras.

Lula tenta usar a aproximação ideológica da família Bolsonaro com Trump para criticar os efeitos das tarifas. Já Flávio busca manter a união da direita e ampliar a votação conquistada no primeiro turno.

As medidas do governo
Lula aposta em programas e medidas adotadas durante o mandato, como o reajuste do Bolsa Família, a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil, o Desenrola, a proibição das bets e os trâmites para distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS.

A oposição classifica essas iniciativas como eleitoreiras. Para Lula, elas podem ajudar a recuperar apoio entre eleitores preocupados com renda, dívidas e custo de vida. O segundo turno mostrará se a força parlamentar de Flávio ou a experiência de Lula terá maior peso na decisão final. (Redação, João Lemes. Fonte: GZH)

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