Tadeu Martins*
Viajar daqui de Santiago
Para São Chico de Assis
É passeio perigoso
Eu digo porque já fiz,
O asfalto é uma tristeza
E a buraqueira é feliz.
Só fica de boca aberta
Comendo roda e pneu,
Bebendo água de chuva
Nem aí de quem sofreu,
Numa festa de família
Festejando jubileu.
Tem o buracão-avô
Que a gente vai ou não vai,
Tem o buraco mais novo
De tocaia pra quem cai,
Tem o buraco-netinho
Sonhando um dia ser pai.
Que o padre da Picada
Lá do céu tenha uma fresta
E mande pra buraqueira
Alguma praga celesta,
– Cada buraco se feche
Para acabar com esta festa –
*Artista plástico e escritor santiaguense, presidente da Academia Santiaguense de Letras.


