A Era do Gelo nos Pampas Brasileiros: Análises Químicas de Fósseis Contribuem para a Montagem do Quebra-Cabeça do Pleistoceno

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Lagoa do Estreito, em São José do Norte, RS. Foto: Francisco Buchmann / Unesp

No litoral gaúcho, especificamente na praia dos Concheiros, fósseis têm sido encontrados, incluindo ossos de preguiças-gigantes. Esses fósseis são provenientes da megafauna, animais gigantes que habitaram a América durante o Pleistoceno, um período que ocorreu entre aproximadamente 2,5 milhões de anos e 11 mil anos atrás, caracterizado por períodos glaciais e interglaciais.

Os fósseis são desgastados pelo mar e depositados na praia, onde pesquisadores como Francisco Buchmann têm coletado essas peças. Buchmann, um paleoceanógrafo, reconheceu um fóssil de uma tíbia de preguiça-gigante enquanto estava coletando material na praia. Esse fóssil em particular era parte preservada da perna de um Lestodon, uma espécie de preguiça-gigante.

Além dos fósseis de preguiças-gigantes, os pesquisadores também estão analisando fósseis de camelídeos para reconstruir o ambiente e o clima dos Pampas, o bioma predominante no Rio Grande do Sul durante o Pleistoceno. Utilizando técnicas de análise química, os cientistas calculam as razões isotópicas de carbono e oxigênio em amostras de fósseis. Essas razões isotópicas revelam informações sobre a dieta dos animais e fornecem indícios sobre o clima e a vegetação da época.

Os resultados das análises indicaram que durante o Pleistoceno, a região dos Pampas era mais seca e o clima mais frio. Os animais herbívoros, como os camelídeos, tinham preferência por plantas com fotossíntese C3, que são típicas de climas mais frios. Além disso, as razões isotópicas de oxigênio sugerem um ambiente desértico, devido à pouca disponibilidade de água.

Essas descobertas auxiliam os pesquisadores na compreensão das mudanças climáticas e na reconstrução da fauna e flora do passado. Os fósseis são considerados registros valiosos das condições ambientais e fornecem insights sobre a história do planeta. O estudo desses fósseis e a análise de isótopos são peças de um quebra-cabeça que ajudam a construir uma visão mais completa do passado e a entender as razões que levaram à extinção de certas espécies.

Fonte: revistapesquisa.fapesp

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