
(Daniel Tonetto – advogado e escritor – Santa Maria) Tenho andado pelos mais diversos lugares, e nas situações desesperadoras que encontrei, tenho observado os livros como sinais de esperança.
Recordo, no ano de 2017, quando estava na Bósnia e Herzegovina, na cidade de Mostar, encontrei uma senhora. Ela estava visitando um dos tantos cemitérios da cidade. O motivo: ela havia perdidos os filhos e o marido para a maldita guerra que infelizmente insiste em fazer parte da história dos seres humanos.
Mas o que também me impressionou foi que ela carregava um livro em uma das suas mãos, e na breve conversa que tive, a mulher me confidenciou que se não fosse pela magia das histórias em que lia, não teria suportado tanto sofrimento.
Em janeiro de 2021, na cidade de Istambul, deparei-me com uma família de refugiados sírios, que fugiram de seu país e perderam tudo por causa da guerra. Eles estavam em uma ponte, pedindo ajuda para não perecerem pela fome ou pelo frio. E, diante de tamanha tristeza, me surpreendo com a filha dos refugiados, uma criança que deveria não ter mais de seis anos, abrir um pequeno livro com gravuras, e mesmo enfrentado uma realidade estarrecedora, o livro que estava em frente aos seus olhos teve o poder milagroso de lhe arrancar um sorriso.
Pouco mais de dois meses atrás, estava na Eslováquia, país que faz fronteira com a Ucrânia. Conversei brevemente com uma família de refugiados ucranianos, que havia perdido casa, emprego e ainda por cima tiveram familiares mortos mais uma vez por conta da maldita da guerra. No entanto, me falaram que não haviam perdido toda a dignidade, e me apontaram o filho, fonte de esperança que havia conseguido um colégio para estudar.
Ocorre que muitas vezes acreditamos que os piores problemas estão tão distantes de nós, porém talvez isso não seja verdade. Semana passada, andava pela nossa região e vi um jovem, sua família não havia sido vítima da guerra, muito menos de alguma catástrofe natural, contudo, ele não carregava um livro, mas infelizmente carregava pedras de crack.
Para os leigos talvez seja apenas mais um adolescente perdido, porém no final das contas nos horrorizamos quando ouvimos as notícias de que na Ucrânia 8 mil civis morreram em um ano de Guerra, enquanto esquecemos que mais de 60 mil pessoas já morreram no Brasil no mesmo período por conta da violência urbana, em grande parte alimentada pelo submundo da droga.
O que eu pretendo falar é que a esperança advinda dos livros irá gerar conhecimentos e oportunidades e poderão fazer do Brasil um país melhor.



