O ex-ministro aceitou a derrota e atribuiu o resultado à “união das esquerdas”

Quatro semanas depois de liderar o primeiro turno, Onyx Lorenzoni (PL) deixou escapar o sonho alimentado há mais de duas décadas.
(Parte do texto de Paulo Egídio – Zero Hora)
O candidato derrotado também relatou que telefonou a Eduardo Leite para cumprimentá-lo pela vitória. “Desejei que ele consiga corresponder às expectativas do povo gaúcho. Na democracia, a decisão do povo é soberana”.
“Não temos do que nos envergonhar”
Onyx atingiu 43% dos votos contra 57% do seu adversário . “Vamos continuar firmes, não temos do que nos envergonhar. Na primeira batalha, nós vencemos. Na segunda, não vencemos. Mas outras batalhas virão, porque nosso destino é proteger o Rio Grande e proteger o Brasil e fazer com que ambos possam estar sempre unidos dentro do processo democrático com nossa liberdade garantida”, disse o ex-candidato.

Depois, Onyx disse que dormiria “angustiado” com a vitória do PT na eleição nacional:
Democracia em risco
“Não tenho dúvida que a volta desse grupo político ao poder colocará a democracia e a liberdade brasileira sob risco. Anotem, podem ser proféticas essas palavras. Espero que não, mas temo pela democracia e pela liberdade no Brasil”, afirmou.
Aos 68 anos, após cumprir sete mandatos como deputado, e passar por cinco ministérios, será a primeira vez que Onyx fica sem mandato desde 1994, quando se elegeu pela primeira vez deputado estadual.
Falhas na campanha
Onyx Lorenzoni se focou muito no presidente Bolsonaro para colher os frutos da popularidade de Bolsonaro no Estado.
Onyx chegou a acenar a categoria de servidores públicos, prometendo reajustes salariais e benefícios, mas o movimento não foi suficiente para conquistar parte expressiva do eleitorado.
Outro ponto que prejudicou Onyx foi o desempenho nitidamente inferior ao do adversário nos debates de segundo turno, reconhecido até mesmo por apoiadores. Em muitos casos, ele partiu para o ataque e não conseguiu apresentar propostas concretas.
“A melhor vacina é pegar a doença”
Dois episódios específicos se espalharam pelas mídias sociais e retrataram a dificuldade de Onyx para se contrapor ao oponente. O primeiro foi a discussão sobre o regime de recuperação fiscal, em que foi questionado nove vezes sem resposta definitiva. O segundo, foi quando disse que “a melhor vacina que existe é pegar a doença”, durante discussão sobre a pandemia.
Negou a mão
A campanha já havia sofrido um revés quando se negou a cumprimentar Eduardo Leite depois do debate na Rádio Gaúcha. Na ocasião, argumentou que fora acusado injustamente de cometer homofobia velada em seu programa de rádio. Onyx e sua equipe jamais admitiram essa intenção, mas a narrativa acabou prejudicando a campanha.
Caixa 2
Outro ponto negativo foi a admissão de que recebeu dinheiro não contabilizado para as campanhas de 2012 e 2014 (caixa 2). Onyx sempre respondeu que havia se “resolvido com Deus” e que o povo gaúcho o conhecia, mas se recusou a enfrentar o tema e explicar o caso.
Faltou ir para rua
Por fim, Onyx participou de escassas atividades de rua na semana decisiva, optando por conceder entrevistas a veículos do interior do Estado e participar de encontros restritos com apoiadores e cabos eleitorais. A campanha de rua foi reforçada na reta final pelo prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, mas isso foi insuficiente para reverter ou mesmo estancar a vantagem de Eduardo Leite.



